Muita gritaria e pouco diálogo na sessão da Câmara que discutiu gênero

Tensões entre manifestantes e membros do parlamento ocorreram com frequência

Muita gritaria e pouco diálogo na sessão da Câmara que discutiu gênero

Tensões entre manifestantes e membros do parlamento ocorreram com frequência

Julia Schaefer

A sessão ordinária da Câmara de Vereadores desta quinta-feira se alongou por mais de três horas, sem que um diálogo fosse estabelecido. O tema, a moção de repúdio aprovada pelos vereadores contra as palestras que tratam do estudo de gênero na escola Elza Pacheco, gerou desconfortos entre manifestantes e membros do parlamento. A sessão chegou, inclusive, a ser suspendida em momentos de maior tensão.

Desta vez, a própria população estava dividida, não só ideologicamente como geograficamente. De um lado, os que aprovam o estudo de gênero e diversidades nas escolas. De outro, os que acreditam que trazer os assuntos para sala de aula expõem as crianças a situações que os pais não permitem. E do outro lado estavam os vereadores do município de Blumenau. As três partes não conseguiram dialogar.

O plenário estava pequeno para a quantidade de manifestantes que representavam os dois lados da discussão e queriam participar da sessão. Muitas pessoas foram impedidas de entrar pelo fato de que as cadeiras haviam sido ocupadas, e não foi permitido permanecer em pé. De acordo com o legislativo, a permissão não foi cedida por questões de segurança no local. À  medida que as pessoas saiam, outras entravam. Este sistema de escolha de quem entra gerou desgaste, o que fez com que o presidente Marcos da Rosa suspendesse a mesma.

Na volta, vereadores discutiram entre si e com a comunidade presente. Gritos de “Me representa”, “Fascistas”, “Ingorantes”, vaias e aplausos se intercalavam entre os pronunciamentos. Alguns se exaltaram, levantaram, gritaram e trocaram ofensas. Ao final, alunos da escola Elza Pacheco tentaram se pronunciar, no entanto, o vice-presidente Almir Vieira não permitiu. Disse que se abrisse o micronfone para os alunos, teria que deixar outras pessoas falarem.

O presidente Marcos da Rosa afirmou que enviou um requerimento à Secretaria Regional de Educação pedindo que fosse confirmado se o evento da escola Elza Pacheco está de acordo com a lei.

 

 

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