Napoleão Bernardes: “Nem sempre as coisas dependem das nossas vontades e desejos”

Em entrevista, ex-prefeito avalia ter entregue o que prometera quando renunciou: uma vaga na eleição majoritária

Napoleão Bernardes: “Nem sempre as coisas dependem das nossas vontades e desejos”

Em entrevista, ex-prefeito avalia ter entregue o que prometera quando renunciou: uma vaga na eleição majoritária

Evandro de Assis

Napoleão Bernardes (PSDB) já virou a página da pré-campanha eleitoral e se diz “feliz e leve” com o desfecho das articulações que o colocaram como candidato a vice-governador na chapa de Mauro Mariani (MDB). O ex-prefeito de Blumenau, que renunciou com o objetivo de ser candidato ao Senado, disse que considera ter “entregue” aquilo que se comprometera em abril, no Teatro Carlos Gomes: conquistar uma vaga na majoritária para a cidade.

Nesta segunda-feira, o ex-prefeito postou uma foto ao lado de Mariani nas redes sociais dizendo-se honrado de participar da eleição ao lado do deputado federal e ex-prefeito de Rio Negrinho.

Em entrevista a O Município Blumenau na tarde desta terça-feira, Napoleão avaliou o resultado das articulações e comentou a coincidência de três ex-prefeitos na disputa pelo governo.

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O Município Blumenau – Como foi para o senhor o fim de semana passado e essa negociação toda?

Napoleão Bernardes – Eu trabalhei muito e sonhei com a candidatura ao Senado, mas, fazendo um retrospecto, em abril, quando eu me desincompatibilizei da prefeitura, foi no sentido de dar protagonismo a Blumenau e ao Vale do Itajaí na eleição majoritária do estado. Ao longo do tempo, com a caminhada da pré-campanha, aos poucos foi se vislumbrando essa perspectiva do Senado. A convenção do partido, mais ou menos desenhou esse cenário. Mas em abril não havia nenhuma garantia de que eu estaria na majoritária, era uma luta. A candidatura ao Senado dependeria da candidatura do PSDB ao governo, o que acabou não acontecendo porque não houve alianças possíveis. Entendeu-se que o isolamento não seria o melhor caminho para o partido. Então, priorizou-se o projeto nacional, do Geraldo Alckmin. E aí, com essa composição com o MDB, que é o maior partido do estado, se assegurou um duplo palanque para o Alckmin. Porque na aliança em que constam Colombo, Amin… Naturalmente esse apoio é ao Alckmin. Então, o apoio do MDB não seria tão natural assim, até porque eles têm a candidatura (a presidente) do Henrique Meirelles. Essa foi uma decisão importante.

Num dado momento, falou-se que você poderia ser candidato a governador numa grande aliança. Essa proposta ocorreu mesmo?

Pode ter sido um desejo real de alguns apoiadores do (Gelson) Merisio, que identificaram nessa possibilidade uma boa aliança, com um nome renovador. Pode ter sido de coração, alguns pensaram e trabalharam por isso, mas pode ter sido um blefe, só no sentido de que eu me deslumbrasse e provocasse o racha interno, enfraquecendo o PSDB. Também é uma teoria. Mas a gente nunca vai saber se foi algo real ou não, isso não tenho condições de afirmar. A mim, não chegou nada.

Valeu a pena ter renunciado à prefeitura para obter a candidatura a vice-governador?

Olha, para Blumenau e o Vale do Itajaí é algo que ficou bom, ficou fantástico. Nós temos, dentre as chapas principais, a possibilidade de ter um governador ou um vice-governador. Então isso é um aspecto bacana. Aquilo com o que me compromissei foi entregue. Espaço de Blumenau na majoritária se conseguiu. E, pô, aos 35 anos ser indicado candidato a vice-governador de uma chapa muito expressiva, e de um grande candidato, um grande homem público que é o Mauro Mariani (MDB), é algo muito honroso e me dá uma grande perspectiva de trabalho por Santa Catarina como um todo, mas também ser o embaixador das causas de Blumenau e do Vale do Itajaí. É altamente estratégico. Veja como Criciúma teve um desenvolvimento gigante com o Eduardo Pinho Moreira (MDB) vice-governador. Balneário Camboriú, com o (Leonel) Pavan (PSDB) vice-governador, teve conquistas extraordinárias.

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O que o senhor achou dessa coincidência de três ex-prefeitos disputando a eleição? Por um lado, há alta probabilidade de que Blumenau vai ter uma cadeira importante em Florianópolis. Mas por outro, dois dos três não vão ter mandato em 2019. Como avalia essa disputa pelos mesmos votos?

Houve um esforço da parte do PSDB e do DEM na busca por uma coligação entre os dois partidos, permitindo que eu e o ex-prefeito João Paulo (Kleinübing) estivéssemos em posições distintas. Mas, enfim, a conjuntura e as circunstâncias não permitiram que isso se concretizasse. Nem sempre as coisas dependem exclusivamente das nossas vontades e dos nossos desejos. É fruto das regras do Brasil. Se valessem as convenções, o (Esperidião) Amin seria candidato a governador, com o João Paulo de vice. E o Paulo Bauer seria candidato a governador, comigo de senador. Em algum momento trabalhamos para o apoio do DEM ao Paulo Bauer, comigo ao Senado e o João de vice. Várias alternativas foram pensadas e o resultado das convenções partidárias expressou aquilo que eu e o João Paulo mais desejávamos. Mas, com essa regra do fechamento de ata ficar para o último dia, as circunstâncias muitas vezes não nos colocam opção. Eu acabei sendo convocado para uma missão e ele para outra. Mas, para Blumenau, por um aspecto ficou muito bom. Teremos no mínimo o vice-governador nas chapas principais. Porque também poderíamos ter um candidato a senador e outro a vice e os dois também não ganharem (risos). Poderíamos estar os três sem mandato.

Tem tucano aqui em Blumenau que torce por alguma mudança na chapa, até porque esses prazos da legislação permitem alguma incerteza. Tem alguma possibilidade na chapa?

Olha, nunca me ocorreu. Quero te dizer que estou muito bem acolhido na chapa pelo Mauro, pelo time da coligação. Estou muito feliz, tô leve, tenho convicção de que, em sendo exitoso o nosso projeto, tenho muito a contribuir. Não me passa pela cabeça.

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