Novas ciclovias em Blumenau: agilidade na Alameda, falhas e atraso na Itoupavazinha

Por que duas obras viárias importantes para o trânsito da cidade tiveram destinos completamente diferentes

Novas ciclovias em Blumenau: agilidade na Alameda, falhas e atraso na Itoupavazinha

Por que duas obras viárias importantes para o trânsito da cidade tiveram destinos completamente diferentes

Bianca Bertoli

Alameda e Itoupavazinha. Centro e bairro. Dois lugares com paisagens que têm quase nada em comum. Arborização, canteiros e simetria visual. Asfalto, concreto e quase nenhum padrão urbanístico. Mas uma coisa esses dois endereços de Blumenau têm em comum: a ambos foi prometida a construção de ciclovias e calçadas para dar mais segurança ao trânsito. Só que apenas o primeiro pode considerar a promessa cumprida.

Em 2015, a prefeitura começou a construir aquele que deveria ser um dos maiores trechos de ciclofaixas da cidade. Seriam quatro quilômetros de extensão, passando pelas ruas Frederico Jensen, Jacob Ineichen e Ari Barroso. Tudo deveria estar pronto um ano mais tarde, exatamente quando começaram as obras de reurbanização da Alameda Rio Branco e da paralela rua Nereu Ramos.

Quase três anos depois, ciclistas e pedestres que passam pela via central já têm infraestrutura adequada à disposição. Na Itoupavazinha, o cenário é outro. E não há esperança de que melhore logo.

O problema na Itoupavazinha

A obra da região Norte é de uma ciclovia. Diferente de uma ciclofaixa, ela terá meio-fio separando a pista de bicicletas da que é usada pelos demais veículos. Só que, no caso específico, a separação bloquearia o amplo acesso aos estacionamentos de comércios, além de encurtar o espaço hoje disponível para o estacionamento dos veículos.

Como o problema só foi percebido durante as obras, depois do projeto ser feito e licitado, houve a interrupção. O secretário de infraestrutura urbana, Régis Evaloir da Silva, diz que está buscando uma solução. A opção mais provável será um projeto de lei para contornar o Plano Diretor e terminar os trabalhos tentando não desagradar nem aos comerciantes locais, nem aos pedestres e ciclistas. Como alcançar essa conciliação é o desafio:

“O Plano Diretor não prevê esse rebaixo, ele prevê um meio-fio alto. O projeto está em conformidade com o Plano Diretor, porém não vai ao encontro dos moradores, do comércio. Estamos refazendo o projeto e vamos ter que alterar a lei no município. O projeto de lei vai autorizar que a gente adapte à realidade que está lá, vai prever os locais onde tem comércio, onde é possível fazer o rebaixo”, esclarece.

Ainda de acordo com Silva, esse é o mesmo problema que impede a continuação das obras de ciclofaixa e ciclovia na rua Gustavo Zimmermann, na Itoupava Central. O secretário promete resolver o empecilho no começo de 2018. Se somados, os trabalhos de mobilidade nessas vias todas passam dos R$ 4 milhões em investimentos. O dinheiro vem da parceria feita entre prefeitura e governo federal.

Com o PAC 2 Mobilidade, R$ 20 milhões estão garantidos para investimentos em infraestrutura viária como ciclovias, ciclofaixas, passeios compartilhados e abrigos de ônibus. Das dez obras listadas no pacote, duas foram finalizadas. Ambas no Centro.

Ciclovia e ciclofaixa do Centro

A pouco mais de dez quilômetros da Itoupavazinha, a ciclovia da Alameda Rio Branco e a ciclofaixa da rua Nereu Ramos estão praticamente prontas. Com pouco mais de dois quilômetros de extensão e custo total de mais de R$ 2,5 milhões, pequenos ajustes separam a entrega oficial das obras, que começaram um ano depois da Itoupavazinha. Com a prorrogação do contrato feita em novembro, a empresa responsável, Ramos Terraplanagem, tem até maio para entregar as melhorias.

Alguns tachões ficaram em locais inapropriados, como na entrada de estacionamentos. Para que isso possa ser reparado o prazo foi estendido, explica o secretário Régis Evaloir da Silva.

Grande espera, velhos problemas


Andar de bicicleta pela via principal do bairro Itoupavazinha pode se tornar um desafio. O professor de História Henrique Luiz Voltolini encara a aventura na Frederico Jensen quase diariamente. Para chegar à escola Visconde de Taunay, onde trabalha, disputa espaço com os carros. De capacete, roupa esportiva e mochila nas costas, Voltolini não conhecia o projeto de ciclovia:

“Minimizaria um pouco o perigo, mas não vai tirar completamente, porque isso é uma questão de educação também, tanto dos motoristas quanto dos ciclistas”, avalia.

Durante a conversa, Voltolini estava parado sobre um trecho sem pavimentação, logo após a saída da rua Professor Jacob Ineichen. A ciclovia da rua Frederico Jensen terminaria exatamente ali, começando na saída da rua Ari Barroso.

O trecho apresenta partes pavimentadas, calçadas novas com lajotas faltantes, margens sem asfalto e outras prontas para uso. Sem unidade no trajeto, moradores evitam andar pela região até mesmo a pé, já que dividir espaço com os automóveis é uma opção temida por muitos.

A finalização da obra seria sinônimo de solução para o velho problema de transitar sem segurança pela via. Ao menos nos dois quilômetros previstos no projeto.

Bianca Bertoli
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