Pai na pandemia: a dedicação de um médico de UTI e de um entregador que se desdobram entre o trabalho e as filhas, em Blumenau

Apesar de muito trabalho, tempo para as filhas é regra para os dois

Pai na pandemia: a dedicação de um médico de UTI e de um entregador que se desdobram entre o trabalho e as filhas, em Blumenau

Apesar de muito trabalho, tempo para as filhas é regra para os dois

Jotaan Silva

Diariamente pais e mães se desdobram entre trabalhar, para levar o sustento para casa, e dar a atenção necessária aos filhos, para uma boa educação. Durante a pandemia, em algumas profissões, essa divisão ficou ainda mais árdua, pelo aumento da dedicação que se impôs. Nesse Dia dos Pais, o jornal O Município Blumenau conversou com dois homens que vivem esse cenário: um médico que atende na UTI para Covid-19 e um entregador que colabora para que as pessoas façam suas refeições em casa.

Desde março, quando a pandemia chegou com tudo no país, essas duas profissões resignificaram o termo “correria”, com o incremento que tiveram em tempo de trabalho, dedicação e atenção.

Os profissionais de saúde, como todos sabem, estão na linha de frente, lidando e convivendo diariamente com pacientes. Já os entregadores não pararam: foram os responsáveis por entregar o lanche, o remédio, a encomenda, tudo que precisava chegar até a casa das pessoas que não podiam sair por prevenção à doença.

Da UTI para casa

Reprodução / Arquivo pessoal

O doutor Eduardo Dias de Oliveira é médico intencionista e trabalha em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) dos hospitais Santa Isabel e Santo Antônio, em Blumenau. Com duas filhas pequenas em casa – Júlia, de três anos, e Isadora, de cinco – a preocupação foi muito grande quando as informações sobre Covid-19 começaram a chegar.

“Foi bem complicado, mas ninguém foge da raia, né? Temos que fazer nossa parte. Sempre tive muito cuidado. Troco de roupas, sempre de máscara, me higienizo, para chegar em casa e não correr riscos. Até hoje, nesse tempo todo trabalhando com os pacientes, nunca tive nenhum sintoma e todos exames deram negativo”, destacou Oliveira.

Aliás, o “chegar em casa” depois do hospital é um dos dilemas nessa divisão entre trabalho e filhas. Segundo ele, a missão é difícil para conseguir ser presente e positivo para as crianças, após passar o tempo tratando e cuidando de pacientes em leitos de UTI.

“Tem paciente que demora muito para se recuperar, tem aqueles que infelizmente não se recuperam e isso é muito triste, eu sinto. Mas quando saio do hospital eu tento me desligar de tudo, porque vou encontrá-las e, agora com esse tempo todo em casa, elas querem e dão ainda mais atenção”.

Arquivo pessoal

As duas meninas estão em quarentena desde o início da pandemia, já que creche e escolas estão fechadas. Esse período maior dentro de casa, faz com que elas queiram mais o zelo do pai e da mãe. Seja nas atividades escolares, para brincar ou apenas ficar juntos. Mas para Oliveira, não é sacrifício, muito pelo contrário, é a melhor parte.

“Não tem como dizer que a pandemia teve algo positivo, com tantos casos graves e mortes acontecendo. Mas a união que as duas estão com elas mesmo, e comigo, com minha mulher, esse tempo maior que estamos passando juntos, é a melhor coisa para conseguir esquecer um pouco as dificuldades do trabalho”.

Nesse domingo, 9, Dia dos Pais, ele conseguiu uma folga para passar o tempo todo com as crianças. Mesmo em casa de quarentena, ele afirma que esse momento com elas, ainda mais nessa primeira infância, tem que ser o foco principal. Até porque, para Oliveira, “ser pai delas é tudo na vida”.

Arquivo pessoal

Esforço conquistar o sustento da família

Douglas Pierre Miranda, de 31 anos, trabalha como motoboy há 12 anos. Já foi taxista, mas em março – início da pandemia – largou esse emprego para  focar somente nas entregas. Além de uma empresa própria, onde faz qualquer tipo de frete – até para outras cidades ou estados – e também atua com aplicativos, como Ifood, Bee e etc.

Esse esforço e trabalho bastante aumentado durante a pandemia tem um estímulo principal há 18 anos: a filha Brenda.

Miranda guarda lembranças com Brenda, ainda criança. Foto: Arquivo pessoal

“Ela é o motivo de tudo. Desde que nasceu até agora não paramos. Minha filha é tudo pra mim. É meu amor maior. Trouxe inspiração pra nossa família. Eu busco estar sempre presente, apesar dos tempos restritos, para recompensar a felicidade que me trouxe”, afirma Miranda.

E esse tempo restrito é real. Além de Brenda trabalhar em uma facção da família com a mãe, Miranda está praticamente 24 horas ativo com as entregas. Ele acorda cedo, deixando os aplicativos ligados para realizar as entregas que aparecerem, e com o celular da empresa disponível.

As vezes precisa fazer entregas em outras cidades e até outros estados, como Campo Largo, no Paraná. E essas viagens demandam mais tempo de trabalho, e menos tempo com a família. Mas isso não atrapalha a relação entre pai e filha.

Miranda faz registro de entrega realizada em Campo Largo, no Paraná. Foto: Arquivo pessoal

“Quando estamos em casa a gente busca sempre estar junto. A noite, principalmente, a gente conversa bastante, fica mais unido. Damos sempre o nosso jeito”, afirma Miranda.

No Dia dos Pais ele também ficará em casa durante o dia, para aproveitar a data junto com a família. Mas a noite ele volta a trabalhar com as entregas em lanchonete, para, como ele mesmo diz, “tem pra conquistar o sustento da casa, enquanto tem oportunidade”.

Arquivo pessoal

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