Por que o número de multas de trânsito caiu em Blumenau

Principais infrações tiveram redução, inclusive as flagradas pelos "secadores" da Guarda de Trânsito

Por que o número de multas de trânsito caiu em Blumenau

Principais infrações tiveram redução, inclusive as flagradas pelos "secadores" da Guarda de Trânsito

Bianca Bertoli

O número de multas emitidas a motoristas em Blumenau está em queda. Entre 2016 e 2018, houve uma redução de 7,2% no volume de infrações. Levantamento feito com base em números do Seterb mostra que, no primeiro semestre, 68 mil infrações foram computadas na cidade. Menos que o mesmo período do ano passado (72,6 mil), e ainda menor que nos primeiros seis meses de 2016 (73.348).

A curva descendente contrasta com o aumento da frota. Em junho deste ano havia 10 mil veículos a mais nas ruas do que em junho de 2016. Também é possível observar queda entre os principais tipos de infração, inclusive as verificadas por radares móveis operados pela Guarda de Trânsito, os temidos “secadores”.

 

“A redução tem a ver com a sensação que as pessoas têm da fiscalização e do impacto que isso pode causar para elas. Primeiro, o financeiro, e segundo, o da pontuação”, acredita o presidente do Seterb, Marcelo Althoff.

Apesar da queda, em média, todos os dias 376 autos de infração foram gerados no primeiro semestre do ano em Blumenau.

Excesso de velocidade

As multas por excesso de velocidade são as mais recorrentes em Blumenau. No primeiro semestre, 49% das 68 mil infrações tiveram esse motivo, somadas as fiscalizações com radar móvel e os flagrantes de lombadas eletrônicas.

Em relação a 2017, porém, houve redução de 17%, principalmente as de lombadas eletrônicas. Mas radares móveis também puniram menos.

Em sete de cada 10 infrações por excesso de velocidade, o motorista trafegava até 20% acima do limite da via. Nas demais, a velocidade era superior a 20% do permitido.

Para Althoff, com o tempo, as pessoas se habituam à localização das 45 lombadas eletrônicas espalhadas pela cidade e tiram o pé do acelerador nesses pontos.

Um novo edital de licitação deve ser lançado neste ano, já que o atual está chegando ao fim (o tempo de contrato com a empresa fornecedora é de cinco anos). Isso pode trazer mudanças no número de radares e nos locais, mas ainda nada planejando, esclarece o presidente do Seterb.

Novas regras para o secador

Althoff acredita que a recente diminuição no número de infrações por radares móveis, manuseados por agentes de trânsito, tem relação com regras novas, implantadas desde o ano passado. As medidas procuraram diminuir as queixas mais comuns de quem é multado:

“A gente passou a publicar as possíveis ruas que seriam fiscalizadas, tem a questão da sinalização com cones… Nós passamos a ter um pouco mais de critério para que as ruas onde fossem feitas as fiscalizações tivessem perfeitamente sinalizadas”.

Para o presidente, os radares móveis têm efeito “terapêutico” e “educativo”. Não saber se há ou não fiscalização em determinada rua obriga – ou deveria obrigar – o condutor a seguir a velocidade permitida.

“Não queremos só arrecadar. A história da indústria da multa é um discurso que vem de quem leva a multa. Está havendo um decréscimo proporcional no número de mortes no trânsito, que é o nosso objetivo”, defende.

Amarelinha da Área Azul

Estacionar em desacordo com a regulamentação da Área Azul é a segunda infração que mais gera multas em Blumenau. São motoristas que recebem a notificação no pára-brisa, conhecida como “amarelinha”, porque deixam os carros nos estacionamentos rotativos sem o cartão ou extrapolam o tempo permitido.

Depois, não regularizam a situação (é necessário comprar um cartão de estacionamento em até 15 dias) e acabam multados em quase R$ 200. Por ser infração grave, o condutor perde cincos pontos na carteira de habilitação.

Michele Lamin/Prefeitura de Blumenau

Apesar de estar entre as infrações mais comuns, deixar a amarelinha vencer também está se tornando prática um pouco menos frequente em Blumenau. Nos últimos dois anos, o número de multas caiu 35%.

Atualmente as 22 monitoras do Seterb fiscalizam 1,4 mil vagas da Área Azul seis dias por semana, exceto quando há muita chuva.

Área azul concedida à iniciativa privada

Há três pontos de vendas para a compra do cartão de estacionamento. O sistema é manual, desde a compra até o preenchimento do papel. O sistema deve ser modernizado, de acordo com Althoff, no momento que a iniciativa privada assumir o serviço.

Quando isso ocorrer, provavelmente no próximo ano, a aquisição de créditos poderá ser feita pela internet. As monitoras trabalharão internamente na auditoria do sistema, e não mais nas ruas.

Outra novidade que deverá surgir é a ampliação da área para outros bairros da cidade:

“Nós temos recebido demandas para implantar o estacionamento rotativo, mas só atenderemos quando a concessão acontecer”, destaca Althoff.

Por enquanto, uma consultoria analisa a viabilidade econômico-financeira do atual modelo e prepara modelos de concessão. Ainda em setembro o estudo deve ficar pronto.

Onde pagar a Área Azul

Comercial Borba: rua XV de Novembro, 895 – Centro
Shopping H: rua XV de Novembro, 759 – 2º piso – sala 54 – Centro
Rodoviária: rua 2 de Setembro, 1222 – Itoupava Norte

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