Desfile do Oktoberfest Blumenau – 1986 – Rua XV de Novembro. Banda dos Tiroleses – da cidade de Treze Tílias SC – Dreizehnlinden. A menina que assiste ao desfile oficial – atualmente está com 37 anos de idade.
A sede da FAMOSC – Arquitetura moderna – em 1972.

Em outubro de 1984 aconteceu A 1° edição do Oktoberfest Blumenau nas instalações da PROEB – antiga sede da FAMOSC e anteriormente, conhecida pelo nome COEB.

Vamos apresentar um resumo do início desta história com algumas informações e nomes importantes para que esta seja cimentada em fatos reais, verdadeiros e documentados. Recebemos um acervo documental e de imagens das primeiras edições do Oktoberfest Blumenau das mãos da esposa do Secretário de Turismo de Blumenau Antônio Pedro Nunes,  Marga Holzmann Nunes, o qual estamos organizando para disponibilizar à pesquisa e à história de Blumenau no ano que o Oktoberfest completar 40 anos – em 2024 – na forma de um livro. 

No momento apresentamos este artigo para atualizar a geração jovem que desconhece muito dos fatos em torno do início desta grande festa de Blumenau e de Santa Catarina.

Na década de 1960 a PROEB era chamada de COEB.
Esta tipologia da arquitetura moderna e um marco em Blumenau e na História do Oktoberfest, considerado o melhor ambiente acusticamente por Helmut Högl, batizado com seu nome, foi demolida na administração do ex-prefeito de Blumenau João Paulo Kleinubing atendendo instruções do Governador Luiz Henrique da Silveira e sem debate com a sociedade de Blumenau.

Antes de conhecermos a história da origem do Oktoberfest Blumenau, vamos conhecer um pouco sobre a história do Oktoberfest que inspirou esta – a Oktoberfest de München, Alemanha. O Oktoberfest de München é uma das inúmeras festas que ocorrem na região Sul do país, com música, gastronomia, alegria, sob lonas, resquício de práticas muito antigas, anterior  à chegada do cristianismo à região, ocorridas entre maio e outubro – ou seja, do início da primavera até o outono. Neste caso específico, relacionada a esta festa – OkotoberfestOktober/outubro – fest/festa; Festa de Outubro – em alemão, e que atualmente, na Alemanha, acontece em setembro.

Oktoberfest de München – Alemanha – inspiração

Oktoberfest 1810 – Bayern – Estátua da Bavária em Theresieenwiese. Pintura de Karl Keck. Óleo sobre tela.
Estátua da Bavária em Theresieenwiese – 2016.

Em 12 de outubro de 1810, o Príncipe herdeiro da Baviera – Ludwig, mais tarde Ludwig I casou-se com Therese da Saxe-Huldburghausen. Todos os cidadãos de München foram convidados para participar das festividades, que aconteceram nas proximidades das portas da cidade, em um parque.

O local ficou conhecido por Theresieenwiese – Campos de Theresa, nome que às vezes é chamado atualmente, através de sua abreviatura – Wies´n, sinônimo de sua Oktoberfest.

Theresieenwiese – 1810.
Theresieenwiese – Campos de Theresa – 2016, através de nossas lentes, sem as lonas do Oktoberfest de München. Foto feita do interior da deusa Bavária – localizada no parque.

As festividades, que contaram com a presença da família imperial, estenderam-se – como um festival – por toda a Baviera. As corridas de cavalos marcaram o encerramento do evento. Decidiram repetir as corridas de cavalos no ano seguinte – 1811, o que deu origem a uma tradição anual, o Oktoberfest de München, que é mais uma festa, semelhante à muitas que ocorrem em toda a região, de maio a outubro, somente que com grandes proporções e muitas lonas.

Theresieenwiese – Atual – Observar que após mais de 200 anos de festa, não foi adensada a área do espaço da festa. Também não se permitiu a verticalização no entorno, para fins de especulação imobiliária e nem tampouco, foi degradado o ambiente. Observar que há locais, onde os gabaritos dos edifícios não ultrapassam determinado limite, ao contrário do que aconteceu em Blumenau dentro de um recorte de tempo muito inferior – nem 40 anos de festa.

Em outubro de 1811, junto com as corridas de cavalos, aconteceu o primeiro Show Agrícola, criado para impulsionar a agricultura bávara.

Atualmente as corridas de cavalos não são mais realizadas, mas a feira agrícola ainda o é – a cada três anos, durante o Oktoberfest de München, no mesmo local – no Wies´n.
Nos primeiros tempos, o parque era pequeno. O primeiro carrossel e dois balanços foram criados em 1818. O Oktoberfest contava com pequenos stands de cerveja, que aumentaram nos anos seguintes. Em 1896, foram construídas tendas de cervejas e criados camarotes de cerveja.

Atualmente o Oktoberfest de München é considerado a maior festa do mundo. Cerca de seis milhões de visitantes de todo o mundo passam pelo evento, todos os anos. Curiosamente, os moradores locais ainda chamam o Oktoberfest de München de Wies´n.

As primeiras edições do Oktoberfest Blumenau tinha muitos elementos que lembravam a festa de München.
Oktoberfest Blumenau 1984 – Desfile oficial – que não é desfile de carnaval. É algo solene e tradicional.

Oktoberfest Blumenau

Antônio Pedro Pereira Nunes.

O Oktoberfest de Blumenau nasceu dentro de uma sequência histórica de enchentes e também de polêmicas políticas dentro do partido do PMDB, partido do recém-eleito prefeito de Blumenau, Dalto dos Reis – dentro da prefeitura e na comunidade blumenauense.

Antes mesmo de tomar posse, o novo prefeito eleito, Dalto dos Reis convidou Antônio Pedro Pereira Nunes, Antônio Pedro Nunes, para ocupar a pasta da Secretaria de Turismo, o que surpreendeu muitas pessoas, principalmente seus partidários, na época. Nunes, apesar de ser proprietário, juntamente com sua esposa, Marga Holzmann Nunes, da primeira agência de turismo do estado de Santa Catarina – Turismo Holzmann – era filiado de outro partido político.

Senador da República Jaison Barreto – PMDB.

Na década de 1980, após o convite – o prefeito de Blumenau solicitou a Nunes que não comentasse sobre o convite publicamente. Mesmo assim, a notícia tornou-se pública e foi impossível evitar sua publicação e tornar-se manchete do Jornal de Santa Catarina, um dia após o convite feito. Houve reação contrária dentro do partido do prefeito de Blumenau, PMDB.

Jaison Barreto – Senador da República pelo PMDB (vencido por Dalto para ser o candidato para concorrer ao cargo de prefeito da cidade), na convenção interna, reagiu contrário à escolha do nome para a Secretária de Turismo de Blumenau. O Senador chegou ao extremo de levantar denúncias contra o Turismo Holzmann e solicitar o fechamento da empresa – inconformado com a decisão de seu opositor dentro do partido. Tudo foi comprovado e a fake news esclarecida e o Secretário de Turismo de Blumenau foi Antônio Pedro Nunes.

Dalto dos Reis manteve o nome escolhido de seu Secretário de Turismo e enfrentou as adversidades dentro do partido e mesmo dentro da comunidade, até a sua posse. O Senador Barreto, não perdeu tempo em deixar seu recado:

“Quando você for o prefeito de Blumenau, você escolhe os seus secretários. Agora quem escolhe sou eu.” Senador Jaison Barreto.

Baile do Chope no C.C. 25 de Julho de Blumenau em 1967.

Logo após a posse do cargo, Dalto dos Reis iniciou os preparativos para o primeiro Oktoberfest Blumenau, sob a coordenação do Secretário de Turismo Antônio Pedro Nunes – que tinha apresentado o projeto da festa ao Prefeito, antes das eleições.

Antes da posse, já existia um projeto para resgatar as populares Festas do Chope, tradicionais não somente na cidade de Blumenau, mas em toda a região – território da antiga Colônia Blumenau.

O Programa da Festa do Chope, aos moldes tradicionais, previa espaço para música alemã e chope. Chegamos a frequentar algumas destas festas, nas décadas de 1980. No momento da aquisição do ingresso, as pessoas recebiam um caneco caracterizado e que era servido chope livremente dentro do espaço da festa.

A Administração do Dalto do Reis previa o retorno da Festa do Chope rebatizada como Festa do Imigrante Alemão que aconteceria no mês de julho de 1984 – durante um período de 9 dias – entre os dias 20 ao dia 29 de julho – como ilustra seu material publicitário, abaixo. De acordo com Marga Holzmann Nunes, esta festa também foi um resgate efetuado por Antônio Pedro Nunes. Estava tudo organizado, mas não se concretizou porque aconteceu mais uma inundação de grandes proporções aconteceu na cidade – enchente de 1984.

A seguir, a iniciativa foi preterida pela decisão arrojada do Secretário de Turismo – Antônio Pedro Nunes, em organizar a 1° Oktoberfest Blumenau – aos moldes da de München e que conhecia muito bem, através de inúmeras visitas ao evento alemão, onde também, levava turistas brasileiros – através de sua agência de turismo.

O projeto previa a primeira edição da festa em 1983, foi adiado em função da enchente deste ano. Imprevisivelmente, a cidade foi inundada e grande parte de seu território foi  tomado pelas águas das chuvas.

Altos da Rua XV de Novembro, local que normalmente não é inundado e onde ficava a estação ferroviária de Blumenau. A ferrovia EFSC foi construída  acima do nível das enchentes. Aos fundos a ponte ferroviária Aldo Pereira de Andrade e a Prefeitura de Blumenau, sem a definição correta do Rio Itajaí Açu. Fotografia de Edson Wruck.

A cidade passou por processo de reconstrução e mesmo que a festa tivesse organizada para acontecer no ano de 1983, primeiro como Festa do Imigrante Alemão   e depois, como Oktoberfest Blumenau, não aconteceu.

“Diante da tragédia, decidimos cancelar a primeira Oktoberfest. Adiamos o evento para o ano seguinte”

No início de 1984 – os preparativos para o Oktoberfest foram retomados e estavam sendo feitos para que a festa acontecesse em outubro deste mesmo ano. O ano de 1984 iniciou tranquilo, até que, nos meses de julho e agosto, novamente a cidade de Blumenau sofreu com outra grande enchente. Esta, teve seus níveis de água mais altos acrescidos de 10 cm a mais do que a enchente de 1983. Estas inundações, de 1983 e 1984, causaram muitas vítimas e perdas materiais.

Com a data programada para a festa – a equipe da Secretaria de Turismo teve que decidir se fazia, ou não, o 1° Oktoberfest Blumenau dois meses antes do programado e que j[á havia sido adiada um ano, no ano anterior, em 1983.

O Secretário de Turismo, Antônio Pedro Nunes decidiu que a festa deveria acontecer, independentemente da tragédia e dos ânimos em baixa, não somente na cidade de Blumenau, mas em toda região. As pessoas necessitavam de alegria e festa. Defendia que o clima instaurado na cidade era um forte motivo para o Oktoberfest Blumenau acontecer. Em sua opinião, a festa seria uma fonte de alegria e distração, após tantos momentos ruins vividos pelos blumenauenses – inclusive ele. Sua residência ficou embaixo d ‘ água, 2 metros. Acreditava que era a oportunidade de mostrar ao Brasil, a superação e a força da população local, atingida pelas águas e externar a gratidão à solidariedade recebida de todas as regiões do país, e também, da Alemanha. Neste momento, a atenção da mídia nacional estava voltada para a região, em função dos últimos acontecimentos – com foco na reconstrução da cidade. O evento seria propagado e conhecido nacionalmente, bem como, melhorar a reação das pessoas diante da tragédia e também, oportunidade de resgatar suas práticas culturais.

Antônio Pedro Nunes assumiu para si – a responsabilidade da coordenação dos trabalhos para a realização do 1° Oktoberfest Blumenau, com o apoio do Prefeito de Blumenau – Dalto dos Reis e da Associação dos Caça e Tiro de Blumenau – que, neste momento, se organizaram em uma Associação – ACCTB – Seio das práticas culturais trazidas pelos imigrantes e com atividades permanentes, dos primeiros anos de história da Colônia Blumenau, até o presente.

Antônio Pedro Nunes alterou o período planejado para acontecer a festa, de 7 para 10 dias. Acreditava que a festa deveria iniciar no meio de uma semana, a partir da sangria do primeiro barril de chope e terminar no próximo final de semana. Muitos, também discordavam de tantos dias de festa, mas o Secretário de Turismo de Blumenau assumiu para si a mudança pautada em argumentos, embasamento e muita segurança a partir de seus conhecimentos adquiridos na área de turismo.

Decidido materializar o projeto da primeira edição da festa – iniciado antes da enchente e no ano anterior, o Secretário de Turismo direcionou seu foco para encontrar um local adequado para sediar o 1° Oktoberfest Blumenau. A PROEB, muito utilizada na década de 1960, era um local não muito utilizado naquele momento – década de 1980, com o uso pleno destes espaços nobres.

Nos ambientes da PROEB, na década de 1980, aconteciam as feiras, jogos de futebol de salão, e uso de atividades da indústria. Nunes observou que estes espaços públicos (parte do patrimônio municipal) estavam quase sem uso.
Conversamos, via telefone, com o Ex-Secretário Executivo da PROEB – gestão de Renato de Melo Viana – Paulo Sérgio Reis. Reis comentou que no ano de 1977, uma grande Churrascaria se instalou nas imediações da PROEB e o espaço teve novamente novos eventos após este período, como por exemplo: O Encontro Nacional Filatélico, promovido pelos Correios no ano de 1979 e o Show da Souza Cruz, evento nacional, a partir de um momento publicitário de um de seus produtos. Em um determinado período, o Pavilhão B foi dividido e alugado para a Cia Hering e a Cremer S/A. Como depósito e uma extensão de seu parque fabril, respectivamente.

Observando o complexo da FAMOSC – Antônio Pedro Nunes, convicto de que seria o local ideal para o evento, levou a sugestão para uso do espaço ao Prefeito com sua argumentação, de que este local seria adequado ao projeto da festa. Aceita, as ideias tomaram forma. Providências foram definidas a partir de reuniões e contatos. Foi retirada a equipe de trabalhos da Empresa Cremer do local e foram iniciadas as reformas e decoração dos dois pavilhões para receber o 1° Oktoberfest de Blumenau. Tinham 2 meses para adequar o espaço para a festa.

A decoração dos dois pavilhões foi feita a partir de mutirão e foi umas das mais lindas decorações de todas as edições do Oktoberfest Blumenau em sua história de 4 décadas. Estávamos lá também. Foram usadas flores e folhas  naturais desidratadas e guirlandas preparadas e pintadas, fixadas em pilares e tetos, presas com pequenos arames. Lamentamos não termos registrado através de fotografias. São poucos os registros fotográficos existentes dos ambientes desta primeira festa.

Pavilhão A – PROEB – decorado a partir de um mutirão com adornos naturais desidratados. A decoração mais linda e envolvente de todas a edições. Reproduziram no teto, um céu estrelado.
Artistas da Rede Globo eram hóspedes pessoais dos Nunes, cuja incumbência fica sob a responsabilidade de Marga Holzmann Nunes

Antônio Pedro Nunes assumiu para si a responsabilidade de confirmar a organização do 1° Oktoberfest Blumenau, após as enchentes, para outubro de 1984. Muitos eram contrários ao evento, neste momento.

A partir de observações feitas na região da Baviera – Alemanha e de toda sua experiência, a partir de seu envolvimento com o turismo em viagens para a Alemanha, não somente para a Baviera, mas para toda a Alemanha e contando com o potencial que acreditava existir na cidade de Blumenau – com muita segurança, o Secretário de Turismo de Blumenau Antônio Pedro Nunes argumentava e defendia o lançamento da festa, pois acreditava que depois das grandes enchentes, as pessoas precisam de festa, lembrando os antigos que defendiam o mesmo, lembrando que “depois das grandes guerras, o povo queria festa”.

Marga Holzmann Nunes esclarece bem esta passagem no vídeo abaixo, recorde de uma entrevista sua concedida a nós. Nunes buscou apoio, através de suas relações e influência, na Rede Globo, que a divulgou, quando anteriormente também havia noticiado a tragédia e, gratuitamente enviou grande número de estrelas de seu elenco para fazer presença e prestigiar a Oktoberfest Blumenau.

E assim o Brasil, também conheceu a primeira edição do Oktoberfest Blumenau, em 1984.

A Banda Alemã na 1° Edição do Oktoberfest 

Algo inusitado aconteceu e culminou com a presença de uma banda alemã na primeira edição do Oktoberfest Blumenau. Sempre foi importante para as organizações dos Oktoberfest’s de Blumenau – a presença da música da Alemanha, através de uma banda, ou mais, daquele país. Houve edições que tinham até 4 bandas alemãs se apresentando simultaneamente.

Na 1° edição isto foi possível graças  ao espírito atento dos idealizadores para os acontecimentos, de maneira muito casual e natural. De acordo com Marga Nunes e Fred Ullrich, uma banda alemã estava em Porto Alegre e se deslocava, por via terrestre, desta cidade, para São Paulo.

Blumenau estava na rota do translado. Wingen telefonou para o Fred Ullrich e perguntou se os organizadores do Oktoberfest Blumenau tinham interesse na presença da banda na festa de Blumenau. Esta comunicação era possível porque Fred Ullrich, que conhecia Antônio Pedro Nunes e a agência de turismo, trabalhava na companhia de aviação alemã Lufthansa, cujos representantes na região, também conheciam a agência de Turismo Holzmann e esta, também transportava as bandas. Bastava somente a comunicação e “pontes” foram construídas.

Obviamente que a resposta dos organizadores do 1° Oktoberfest Blumenau ao autor da solicitação foi positiva e ficou combinado que na quinta feira da semana da estreia da festa, a banda alemã tocaria, chegando diretamente da “estrada” para o local.

A Secretaria de Turismo fez um comunicado à imprensa – jornais e rádios de Blumenau e propagou a noite do Oktoberfest Blumenau com a presença da banda alemã. Uma multidão compareceu na noite de quinta feira. A banda atrasou. A festa iniciou sem a banda e seus organizadores desconheciam que o veículo que a transportava teve contratempo na estrada.

Chegaram no local da 1° Oktoberfest Blumenau, após as 23:00hs e entraram no ambiente da festa tocando em alto em bom som, contagiando a todos os presentes, quando estes nem contavam mais com sua presença.

A banda alemã entrou no ambiente  com penumbra, o que pareceu ao público que fazia parte do momento festivo e do show. Não sabiam que estava acontecendo problemas técnicos com a iluminação. Ficou perfeito. Nunes disse que este momento foi inesquecível – a entrada triunfante e sonora da melodia musical da primeira banda alemã que tocou na festa blumenauense.

Outra banda que marcou a história da festa foi a Banda do maestro Hemult Högl. Em 1985, uma ano após a primeira edição, a Lufthansa, através novamente, de Fred Ullrich, que trabalhava na empresa, novamente entrou em contato com o Secretário de Turismo de Blumenau Antônio Pedro Nunes e comunicou que o maestro Helmut Högl e sua banda estavam em São Paulo, e se concordassem, poderiam visitar o Oktoberfest de Blumenau antes de retornarem para a Alemanha. Como o ocorrido na primeira edição, foi prontamente aceita a visita do maestro alemão e de sua banda.

Depois desta visita, em outra edição da festa, Helmut Högl e sua banda vieram para o Brasil especialmente para tocar no Oktoberfest Blumenau – e foi um dos grandes sucessos das primeiras edições do Oktoberfest Blumenau.

Quando sua banda iniciava o show no Oktoberfest Blumenau, atraíam todas as atenções, não só do pavilhão que tocava, o Pavilhão A, especialmente decorado para ele, mas também dos demais pavilhões – como eram chamados os inúmeros espaços do Complexo da festa naqueles tempos. Sua alegria e carisma contagiaram e o músico alemão tornou-se um dos nomes desta história.

Helmut Högl escreveu, especialmente a música Hallo Blumenau – hino, por vontade popular, de todas os Oktoberfest Blumenau. Escreveu a música especialmente para a festa de Blumenau, que demonstrava o grande carinho que sentia por seu público do Brasil.

Helmut Högl – estrela das primeiras Oktoberfest Blumenau – dando atenção ao seu público durante um dos desfiles oficiais do Oktoberfest. Fez alguns arranjos para canções do pioneiro local, com melodias para o Oktoberfest, influenciando o modo de tocar de bandas locais. Blumenau Foto: www.blumenau.sc.gov.br
“Hallo Blumenau” com Vox Club – Oktoberfest Blumenau 2016

Decoração do 2° Oktoberfest – Pavilhão da PROEB – Demolido no Governo de João Paulo Kleinubing – a mando do Governador Luiz Henrique da Silveira.
Fred Ullrich com discos das duas primeiras bandas oficialmente contratadas pelo Oktoberfest Blumenau. Participou diretamente da vinda destas bandas para Blumenau.

Ullrich também foi responsável pela vinda da Kapelle Götz Buan, do maestro Siggi Hipfl que veio através dos conhecidos de Ullrich na Deutsche Welle, através de seu diretor Werner Bader.

Esta aproximação da rádio alemã DW com Blumenau, tem relação com Fred Ullrich, que trabalhou na mesma em 1972, na Alemanha, e que também tinha laços de amizade com o Secretário de Turismo de Blumenau. Ullrich muito contribuiu nas primeiras edições do Oktoberfest e com o Secretário de Turismo de Blumenau.

Em 1985, no ano seguinte ao, da primeira edição, a Prefeitura de Blumenau mandou construir o Pavilhão C, em tempo recorde. Durante muito tempo o local foi o maior e mais moderno espaço para eventos de Santa Catarina. Foi construído pela Prefeitura Municipal de Blumenau, sem parcerias, portanto, seria parte do patrimônio público da cidade de Blumenau.

Este espaço cumpriu sua missão até o final de 2005, quando foi incorporado às novas instalações do novo complexo chamado, a partir de então, de Vila Germânica – esta construída sobre o espaço do histórico Pavilhão A – FAMOSC, demolido após o Oktoberfest Blumenau 2005, na administração de João Paulo Kleinubing, desprovido de qualquer debate com a sociedade.

Soubemos que este recebeu orientação do Governador de Santa Catarina Luiz Henrique da Silveira e a ideia foi acatada imediatamente pelo governo municipal, quando, na última noite do Oktoberfest Blumenau 2005, o prefeito João Paulo Kleinubing aconselhou que, “quem não tivesse ainda fotografado o edifício histórico, que o fizesse, pois seria desmontado no dia seguinte” e assim aconteceu, sendo desconhecido o destino  do alumínio de sua cobertura em forma de abóboda.

Não houve debates, reflexões e nem análise na Câmara de Vereadores – que existe para acompanhar e fiscalizar as ações do executivo – apartidariamente. Simplesmente aconteceu a partir do acato da decisão de alguém externo à cidade, comandado por um representante político – dentro de um recorte de tempo – desta história, de maneira definitiva.

Os espaços deixaram de ser públicos e tornaram-se uma miscelânea de ambientes negociáveis e apertados, sem local para o parque, uma característica importante dos dois Oktoberfest´s, de Blumenau – até então – e o de München. As primeiras Oktoberfest’s Blumenau tinham espaços internos na mesma medida que os externos, com muitos pontos de comida. A festa tinha cheiro, no ar também, acompanhando as cores dos trajes e o som da música alemã. As atuais são um pouco claustrofóbicas.

“Só faltou Maremoto!” Prefeito Dalto do Reis

Eleito em 1982 para governar Blumenau por quatro anos, Dalto dos Reis acabou permanecendo no cargo por seis anos. Tomou posse em março de 1983 e ganhou dois anos extras devido a alteração efetuada na legislação promovida nos estertores do regime militar ao qual se opunha. Durante seu governo, Blumenau sofreu três grandes catástrofes naturais. Em 1983 veio a primeira grande enchente. Em 1984, além da segunda enchente, ocorreu também uma enxurrada de grandes proporções no bairro Garcia.

“Tivemos até neve no Morro do Cachorro durante o meu mandato. Foi uma tragédia atrás da outra. Foram tragédias que atingiram em cheio a economia e o ânimo da população, atrasando nosso desenvolvimento” – Prefeito Dalto dos Reis.

Blumenau sofreu duas enchentes de grande proporções, quase consecutivas, nos anos de 1983 e 1984. A tragédia teve repercussão nacional e internacional. A cidade ficou por semanas submersa e as perdas materiais e de vidas foram grandes.

Dalto dos Reis

Em entrevista concedida ao Portal Noticenter, Dalto dos Reis contou os bastidores da criação da festa, desmistificou algumas das lendas em torno do evento a respeito das duas maiores enchentes que se já abateram sobre Blumenau e que tiveram estreita ligação com o evento.

Partes da entrevista com Dalto dos Reis

Reza a lenda que a Oktoberfest foi uma festa criada para recuperar a auto-estima dos blumenauenses após as duas grandes enchentes que se abateram sobre a cidade, nos anos de 1983 e 1984. “Não é verdade”, assinala Dalto. “A ideia da Oktoberfest circulava nos meios políticos de Blumenau vários anos antes, mas ninguém ainda havia tomado a iniciativa. A proposta fez parte do plano de governo da minha candidatura. Foi uma promessa de campanha”.

O ano de 1984 começou tranquilo. A primeira Oktoberfest estava marcada para outubro. Mas entre julho e agosto veio a segunda grande enchente, que atingiu dez centímetros a mais que a primeira.
— A decisão de manter a festa foi traumática — recorda o ex-prefeito.
As enchentes de Blumenau causaram dezenas de vítimas. Pouco depois da tragédia de 1984, a prefeitura começou a ser cobrada sobre a realização da festa. Dalto já havia sinalizado que manteria a programação. Havia muita controvérsia sobre a conveniência de fazer ou não a festa. “Um dia, inesperadamente, um cidadão invadiu meu gabinete. Ele simplesmente chutou a porta e entrou”, conta o ex-prefeito. O invasor, possivelmente traumatizado com as mortes, questionou o então prefeito:
— Você vai ter coragem de fazer um bailão para dançar em cima dos mortos? Dalto confessa que a cobrança o deixou perturbado.
— Passei várias noites sem dormir, atormentado pelo dilema de fazer ou não fazer a festa —recorda.
Em suas reflexões, Dalto diz que rememorou informações sobre tragédias naturais ocorridas na Ucrânia, que provocaram muitas mortes.
— Lembrei-me de que os ucranianos, várias vezes vítimas de desastres naturais, se reuniam e bebiam por vários dias, como forma de se revigorarem. Achei que devíamos fazer o mesmo, que não seria falta de respeito — assinala.

Na entrevista concedida ao Noticenter, Dalto dos Reis relembrou a gravidade das tragédias provocadas pelas enchentes.
— Realizamos uma bem-sucedida operação para esconder a real dimensão do número de vítimas. Até hoje sou capaz de lembrar de locais onde exumamos 15 ou 20 pessoas, no bairro Fortaleza. Tivemos que esconder para evitar maiores traumas. Ninguém da imprensa conseguiu essas informações.

Em um domingo pela manhã, em pleno desfile da Oktoberfest pela rua XV, o ex-prefeito Dalto dos Reis circulava anonimamente pela Beira Rio, depois de comprar um jornal. Perguntado sobre a dimensão adquirida pelo evento, ele manifesta discordância com a política de preços praticada pelos organizadores.

– Os preços estão indecentes – protesta – Quando começamos a festa, exigi que o preço do chope e dos ingressos fosse menor que o praticado no mercado. Colocamos barracas de cachorro-quente para que os trabalhadores com menor poder aquisitivo pudessem levar suas famílias – assinala o ex-prefeito.- Diziam que a festa dava prejuízo. Não era prejuízo. Era investimento em lazer e bem-estar. Quando gastamos na construção de uma praça, não dizemos que ela deu prejuízo, embora ninguém vá ressarcir os cofres públicos do seu custo. O saldo negativo da festa era planejado, dentro de uma margem que considerávamos aceitável para que a maioria da população pudesse ter acesso – afirmou.

Harold Letzow

Oktoberfest 2012 – Na concentração do Desfile trajado e com a faixa de Embaixador do Oktoberfest – Sua última Oktoberfest Blumenau. Mesmo doente, cumpriu seu papel de Embaixador da festa.

Foi um dos organizadores das cinco primeiras edições do Oktoberfest de Blumenau e um dos responsáveis, junto com o Martin Schwertl, pela vinda da Banda alemã da cidade de Rödelsee pela primeira vez, em 1988 – Winzerkapelle Rödelsee.

Winzerkapelle Rödelsee – preparativos para tocar no Oktoberfest Blumenau.
1977 – Letzow com o Governador do Estado de Santa Catarina Antônio Carlos Konder Reis – Encontro Internacional de Cantores no C.C. 25 de Julho de Blumenau.

Em 1997, Letzow recebeu o título de Embaixador do Oktoberfest Blumenau – cargo que ocupou até falecer, em junho de 2013, com 88 anos.
Também foi presidente do C.C. 25 de Julho de Blumenau por três gestões e fundador e idealizador do mais antigo grupo folclórico em atividade da cidade de Blumenau e que desfilou no primeiro desfile oficial na 1° Oktoberfest Blumenau no ano de 1984 – Blumenauer Volkstanzgruppe.

Sommerfest Blumenau 2011- Letzow com o Grupo Folclórico que idealizou e contribuiu para sua fundação. Grupo Foclórico Blumenauer Volkstanzgruppe.

De acordo com o livro assinado por Wilfried Wolkmann e Renate Rossmark (cunhada do Schwertl) – Centro Cultural 25 de Julho de Blumenau – Sua História – 1954 a 2009, nos anos 70, o C.C. 25 de Julho de Blumenau mantinha um intercâmbio cultural muito forte com diversos grupos culturais do Brasil, Argentina, Uruguai, Alemanha e Áustria. Muitos destes grupos culturais eram grupos de danças folclóricas, o que despertou o desejo de também criar um grupo de danças no centro cultural.

Gr D – C.C. 25 de Julho de Blumenau – 1978. Foto do Livro – Centro Cultural 25 de Julho de Blumenau Sua História – 1954 a 2009.

Na época, a diretoria do C.C. 25 de Julho de Blumenau estava envolvido com a organização da 1° Oktoberfest Blumenau, com a participação de grupos como: Skat e o Teatergruppen – Grupo de Teatro.

Antes da grande enchente, Letzow já tinha conversado com seu amigo, Paulo König sobre a criação de um grupo de danças folclóricas germânicas. Após a enchente, o assunto foi retomado a partir do aval do novo Presidente do C.C. 25 de Julho de Blumenau – Friedrich Ideker, marido da Angela Ideker.

A ideia se materializou, quando o jovem Jürgen König, filho do Paulo König, se interessou em participar da formação do grupo de danças. Após a “convocação” de vários jovens, em 7 de julho de 1984, oficialmente era apresentado o Grupo de Danças Folclóricas Blumenauer Volkstanzgruppe.

O grupo folclórico Blumenauer Volkstanzgruppe foi oficialmente fundado em 7 de julho de 1984 pelo Embaixador da Oktoberfest e na época ex-Presidente do C. C. 25 de Julho de Blumenau, Harold Letzow.

Blumenauer Volkstanzgruppe, fundado por Letzow em um dos desfiles do Oktoberfest de 1984, primeira edição do Oktoberfest Blumenau – Rua XV de Novembro, Blumenau.

Chope em Metro

Desde o ano de 1986 foi criado a Competição – com o apoio da Artex e Cristais Hering – da modalidade do Chope em Metro. A competição se resume no ato de o “atleta” beber “um metro” (Forma do copo conhecido tulipa) de chope gelado (600ml), no menor período de tempo, sem babar. A atividade esportiva, criada no Oktoberfest Blumenau, foi idealizada pelo Mário Cesar Deggau e, na época, era cronometrada por membros do curso de Educação Física da FURB.

Nos três primeiros anos “os atletas” dos naipes femininos e masculinos competiam juntos. Participamos do Chope em Metro do Oktoberfest Blumenau, nesta competição mista, no ano de 1986. Conquistamos o “caneco” no naipe feminino, nos anos de 1990, 1991 e 1992, e vice-campeonato, em 1993, quando decidimos não participar mais da competição.

Atualmente a competição utiliza chope sem álcool. A festa foi muito descaracterizada – desde as primeiras edições até as edições atuais. Teve momentos de crises e reflexões sobre sua continuidade no calendário de eventos de Blumenau. Tornou-se um produto rentável, dentro da escala nacional e muitas vezes isto depõe contra a cultura local.

O ponto positivo – a partir de seus mais de 38 anos de festa, foi um resgate de muitas atividades culturais da cidade, como por exemplo a dança folclórica alemã com o surgimento de inúmeros grupos folclóricos a partir de 1984.

Também, surgiram outras atrações e despertaram e fizeram surgir muitas bandas e grupos musicais, como a vinda de outras bandas alemãs que interagiram e tocaram no Oktoberfest Blumenau. Muitos músicos alemães decidiram morar na região.

O evento promoveu intercâmbio e continua promovendo entre Blumenau e várias regiões da Alemanha, como por exemplo a cidade de Rödelsee, que recebe continuamente visitantes de Blumenau, entre outros. Lembramos também o 12° aniversário do Show dos Velhos Camaradas, uma das atrações do Oktoberfest Blumenau, estrelando um dos grupos culturais mais antigos do C.C. 25 de Julho de Blumenau – o Coro Masculino Liederkranz.

Algumas – das principais bandas alemãs que tocaram no Oktoberfest Blumenau

Assistimos

Imagens, entrevistas e documento – História do Oktoberfest Blumenau

Documentos inéditos que serão disponibilizados em breve com mais detalhes e para a história, na forma de um livro.
Esta pesquisa iniciou quando percebemos, em 2010 e 2011, uma deliberação em retirar o nome do Secretário de Turismo Antônio Pedro Pereira Nunes da história do Oktoberfest Blumenau, fato que acompanhamos e sabíamos muito sobre sua contribuição para o sucesso e a solidificação da festa, uma das maiores do Brasil e também modelo e inspiração para outras tantas festas com o mesmo perfil cultural, ou não.

Também, por algum motivo, há uma tendência de modificações em alguns fatos históricos. Sempre registramos para a História e em algum momento este material é útil para ilustrar o lastro de um conjunto de palavras.

Desde 2013, vínhamos coletando material e pesquisamos sobre o Oktoberfest Blumenau, quando conversamos com Marga Holzmann Nunes, esposa do Secretário de Turismo de Blumenau, sobre o nosso desejo de entrevistá-la e, o que ocorreu em 29 de outubro de 2018. Também Marga Holzmann Nunes nos repassou parte da documentação e acervo relacionados as primeiras edições do Oktoberfest que pretendemos disponibilizar em breve, como já mencionamos, na forma de um livro.

Também em 2015, durante o primeiro desfile formal do Oktoberfest Blumenau 2015, encontramos o ex-prefeito de Blumenau Dalto dos Reis e o convidamos para ir ao nosso escritório, na época localizado na Rua XV de Novembro e também, o entrevistamos, onde obtemos alguns feitos seus e informações, quando ocupava o cargo no executivo do município. Apresentamos as duas entrevistas, por ordem cronológica.

Entrevista Dalto dos Reis

História do Oktoberfest Blumenau.

Entrevista Marga Holzmann Nunes

História do Oktoberfest Blumenau.

 Discurso do Secretário de Turismo de Blumenau – Antônio Pedro Nunes, na abertura do 1° Oktoberfest Blumenau.

1° Página do documento original do discurso do Secretário do Turismo de 1984, no dia da abertura da primeira edição do Oktoberfest Blumenau.
2° Página do documento original do discurso do Secretário do Turismo de 1984, no dia da abertura da primeira edição do Oktoberfest Blumenau.
Secretário de Turismo de Blumenau em 1984, proferindo o discurso de abertura da 1° edição do Oktoberfest Blumenau 1984.
Durante discurso de Antônio Pedro Nunes.
Momento de descerrar a faixa para a abertura do 1° Oktoberfest Blumenau – Marga Nunes e a Primeira Dama acompanhadas de seus maridos – Dalto dos Reis e Antônio Nunes.
O início – entrar no ambiente da festa.
Sangria do primeiro barril de chope na 1° Oktoberfest Blumenau – O Governador do Estado de Santa Catarina Esperidião Amin em ação, ao lado de Antônio Pedro Nunes e Dalto dos Reis – observados por Hans Prayon.
Primeiro “Ein Prosit!” entre Esperidião Amin e Dalto dos Reis, observados por Wilson Wan Dall – de chapéu vermelho, à direita.

Oktoberfest Blumenau Atual

Atualmente, a cidade de Blumenau e toda a região, muda de ritmo para iniciar a festa que ascendeu a alegria de mostrar e praticar a cultura que por muitos anos foi “sufocada” durante o período de Nacionalismo vivido entre as décadas de 1930 e 1950, poder-se-ia dizer, até 1960,com resquícios até mais ou menos a década de 1980. Essas práticas foram tiradas de pelo menos duas gerações.

Geração de filhos que estudaram em escolas fundadas e construídas literalmente por seus pais e avós, nas quais os professores eram alemães (por falta de opção) e só falavam o idioma, mediante a ausência do Estado no local, viram-se obrigados a deixar de falar o idioma alemão, único usado.

Sob a humilhação implantada pelo bullyng oficial do estado brasileiro, aprenderam que era ilegal cantar, dançar e falar o idioma alemão, como também o italiano – dentro das colônias do Vale do Itajaí, nas cidades que construíram.

O Oktoberfest fez despertar e resgatar essa cultura que estava nos álbuns, nos baús, na paisagem e nas lembranças, guardados, muitas vezes, em caixas muito bem fechadas nos sótãos das casas ou, ainda presente, na mesa dos almoços de domingo.

Desfile na Rua XV de Novembro – que não é desfile de carnaval brasileiro e nem de carnaval alemão.
Rigo’s Stern – líder Rikobert Döring – é o fundador da Banda Cavalinho Branco – atual Cavalinho.

Todo ano, no mês de outubro, exceto em período de isolamento sanitário/pandemia, ocorre uma grande expectativa dentro dos muitos grupos culturais que têm grande responsabilidade de fazer a festa – sem que perca sua identidade.

Lino, músico que participou de todas as edições do Oktoberfest Blumenau, neste momento junto ao “Castelinho Moellmann”, ano de 1989. O menino é Jorge Wittmann e esta foto foi feita como registro para a História.

Esperamos que as novas edições, a partir das novas equipes não se esqueçam da importância cultural do Oktoberfest Blumenau para aqueles que preparam a festa, que não deveria se limitar somente ao comerciante e parceiro comercial – muitas vezes sem comprometimento cultural com Blumenau e região e que, muitas vezes, não conhece Blumenau, tendo o merecimento de receber homenagens em detrimento daqueles que praticam a cultura durante todo o ano. Aqueles que emprestam e fornecem a originalidade a esta festa, que na edição de 2022 não aconteceu a presença sequer de um Kapellebuam da Alemanha para emprestar um pouco de sua sonoridade aos ambientes da festa, durante alguns dias seguidos. O Oktoberfest Blumenau é um palco do “despertar cultural” local e regional e isto também é Brasil. Brasil multicultural.

Oktoberfest Blumenau tem muito mais relevância que somente o retorno econômico. É responsável pelo despertar cultural de gerações dentro das famílias de Blumenau, após um hífen de silêncio, resgatando sua identidade. Quem vem visitar o Oktoberfest de Blumenau, de outras regiões do Brasil, vem para ver a cultura (música e gastronomia) alemãs.

Ein Prosit!!

Um Registro Para a História!

Sou Angelina Wittmann, Arquiteta e Mestre em Urbanismo, História e Arquitetura da Cidade.
Contatos:
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@AngelWittmann (Twitter)

Em breve – Estaremos lançando o livro: “Fragmentos Históricos – Colônia Blumenau” – inspirado nos artigos desta coluna. Aguardem.