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Restaurantes de Blumenau aderem a entregas de bicicleta

Ciclistas chegam a fazer mais de 60 quilômetros por dia sob sol ou chuva

Em grandes metrópoles eles já estão bem popularizados. São profissionais que, com grandes mochilas nas costas e de bicicleta, driblam o trânsito e entregam documentos, objetos ou alimentos.

Em Blumenau os entregadores de bike podem ser vistos partindo principalmente da área central da cidade e em horários de almoço. Alguns restaurantes adotaram a ideia e enviam a refeição aos clientes apenas desta maneira. É o caso do Vegecetera, restaurante vegano localizado no Centro.

“Desde que abrimos, há mais ou menos dois anos e meio, as entregas são feitas de bike. São dois ciclistas que atendem em um raio de 5 km”, conta o proprietário do estabelecimento, Eduardo Jardim.

Juliano da Costa, 31 anos, é um dos prestadores do serviço. Ele e outros três amigos fundaram a Sprint Bike Delivery há cerca de quatro anos. Atualmente trabalha em dupla e defende que o ofício vai além de uma simples entrega: é um estilo de vida, uma maneira de incentivar a utilização de um meio de transporte mais sustentável.

Não existe tempo ruim para os “ciclo mensageiros”, como Costa prefere se definir. Sob sol ou chuva ele chega a fazer 50 entregas por dia. A mochila é impermeável e, para os dias de sol, muita água e roupa adequada.

“Às vezes acho que faz a entrega mais rápido que um motociclista. É impressionante”, revela Jardim.

Autônomos

Em 2016 uma empresa especializada em entregas sustentáveis, a Ecobike Courier, passou a atuar em Blumenau. Neste ano, porém, fechou as portas. Apesar do encerramento trazer a impressão de que a onda dos ciclistas entregadores passou, eles garantem que não. Costa diz que os dois funcionários da Ecobike estariam atuando de forma autônoma desde então.

“É um crescimento lento, mas existe. Nesses quatro anos tem surgido cada vez mais clientes, tenho os fixos e os esporádicos”, conta Costa.

Ismael Sempkoeski, entregador há quatro meses, também concorda que há uma evolução gradual. Prova disso é o grupo que existe no WhatsApp entre os profissionais, que passam corridas um ao outro pelo aplicativo quando há muita demanda.

Não há uma legislação que estabeleça regras e direitos a esses profissionais ou que mapeie a quantidade deles na cidade, mas eles acreditam não passar de dez. Para acioná-los, há o aplicativo Bee, um dos mais ativos em Blumenau. Costa, também disponibiliza um documento com os valores cobrados.

Desafios

Os desafios para quem entrega algo de bicicleta são os mesmos que qualquer ciclista enfrenta diariamente em Blumenau: falta de ciclovias ou ciclofaixas e respeito por parte de motoristas.

“Todo dia cortam tua frente, mesmo você sendo cuidadoso. Todos os dias tem algum carro estacionado na ciclofaixa, todos os dias alguém manda você andar na calçada. Dá pra ver que as pessoas não entendem nem de legislação de trânsito”, lamenta Costa.

Ele admite que o entendimento dos condutores para a questão aumentou, mas muitos ainda têm dificuldade em dividir o mesmo espaço quando não há área adequada a quem pedala.

“Parece que os motoristas não te enxergam. Resumidamente é isso”, opina o entregador.

Sempkoeski acrescenta que, diferente de quem usa bicicleta por lazer, os trabalhadores enfrentam qualquer via, seja calçada ou não, íngreme ou não. Ele, por exemplo, já chegou a fazer 100 quilômetros em um único dia. Normalmente são 60 km.

Um outro obstáculo diário ninguém pode mudar: a topografia. Subir e descer os morros de Blumenau em cima de uma bicicleta não é pra qualquer um. “Mas a gente adora um desafio, é isso que nos move”, brinca Costa.

 

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