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Operações e prisão de deputado mostram que política em SC não é tão diferente de outros estados

Desde 2018 o Ministério Público de Contas do Estado e a Polícia Federal investigam um suposto esquema de fraude em licitações e desvio de recursos ligados a contratos de prestação de serviços de mão de obra terceirizada e do ramo de tecnologia firmado com o governo do Estado de Santa Catarina entre 2009 e 2018.

Os focos principais sempre foram as Secretarias de Administração e de Saúde do Estado, que desde o governo de Luiz Henrique da Silveira (PMDB) até o de Eduardo Pinho Moreira (MDB) sempre tiveram nos principais cargos pessoas indicadas pelo deputado estadual Júlio Garcia (PSD) e pelo MDB catarinense.

A primeira fase dessa investigação recebeu o nome de “Alcatraz” e conseguiu juntar um farto material para comprovar que todo esse esquema sempre teve a ciência das principais figuras políticas daqueles governos e estima-se que o desvio chegue ao absurdo valor de R$ 500 milhões durante os quase dez anos em que esse grupo administrou o estado.

O deputado estadual Júlio Garcia teve um foco maior sobre si porque o ex-Secretário de Administração, Nelson Castello Branco Nappi Junior, foi uma indicação sua e foi na gestão dele que muita coisa que favoreceu empresas de familiares de Garcia ocorreu. Depois que Nappi saiu da Secretaria de Administração, em 2018, ele assumiu um cargo de Diretor na Alesc, tendo sido levado pelo presidente Júlio Garcia.

Na manhã de terça-feira, 19, a segunda fase dessa investigação, que recebeu o nome de “Hemorragia”, foi deflagrada pela Polícia Federal, Ministério Público Federal e Receita Federal e acabou decretando a prisão domiciliar do atual presidente da Assembleia de Santa Catarina e de mais alguns nomes das cidades de Xanxerê, Joinville e Florianópolis. Ao todo, foram 34 mandados de busca e apreensão e 20 mandados de prisão preventiva e provisória. A operação também esteve na casa do ex-governador Eduardo Pinho Moreira em busca de documentos que possam comprovar o que todo mundo já sabe.

O que fica nisso tudo é que as leis e a forma com que tudo é feito na administração pública é falho e qualquer grupo que entre lá com a intenção de desviar recursos pode ter muito êxito.

Talvez esse caso tenha chamado a atenção pela voracidade dos seus comandantes e também pelo grande número de envolvidos que tinham que receber um quinhão desse bolo todo, mas quantos esquemas como esse passam ilesos dos olhos da justiça e do eleitor e, do nada, gente que antes era um mero “classe média” acaba passando férias em lugares paradisíacos ou aparece com carros importados, casas e até lanchas.

O problema da fome e da falta de emprego no Brasil não é porque o país não tem dinheiro suficiente para os investimentos, mas sim porque há muito dinheiro nos governos e isso chamou a atenção de gente que inventou um esquema que é muito difícil de ser quebrado. Quando esse esquema corre risco, eles cortam os braços para salvar a cabeça e tudo continua como se nada tivesse acontecido.

Santa Catarina sempre pensou ser um estado diferente, mas há muitas provas que por aqui também existe tudo que acontece em qualquer estado da federação e que pagamos essa conta como qualquer brasileiro que tenta sobreviver num país corrupto e cheio de armadilhas para quem é honesto.

Veja abaixo a lista das empresas e pessoas investigadas na Operação Hemorragia:

EMPRESAS:

Alfa Soluções em Tecnologia

Apporti Soluções em Tecnologia

Fecoeconomy Consultoria e Assessoria

Micromed Informática

Neoway Tecnologia Integrada

Qualirede Consultoria Empresarial Ltda.

Saúde Suplementar Soluções

Socialbase Soluções em Tecnologia

Zengoldabil Ltda./VRV Contabilidade Ltda.

 

PESSOAS:

Alexandre Tonini

Andrea Kristina Kargel

Dayna Maria Bortoluzzi

Dalmo Claro de Oliveira (Ex-Secretário da Saúde do Estado)

Eduardo Pinho Moreira (Ex-Governador de Santa Catarina)

Fabrízio Raposo Ferrari

Fernando May Rengel

Gilberto Batista Perassa

Irene Minikovski

Jaime Leonel de Paula Junior

Jefferson Rodrigues Colombo

Júlio Garcia (Deputado Estadual e Presidente da Alesc)

Márcio Biff

Mário Gilberto Eichler Junior

Maurício Passos de Castro

Milton Martini (Ex-Secretário de Administração do Estado)

Nelson Castello Branco Nappi Junior (EX-Secretário de Administração do Estado)

Norberto Hahn

Patrícia Rodrigues Cândido Perassa

Paula Bianca Minikowski Coelho

Radamés Tiago Guerreiro Martini

Richard Amorim de Souza

Valter José Galina (Ex-Presidente da Casan)

Vanderlúcio Rosa Cunha

Vilmar Alcides Burguesan


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