100 mil pacientes depois, como o horário estendido nos ambulatórios impactou a saúde de Blumenau

População ainda precisa de orientação e conscientização para saber em quais situações devem procurar os prontos-socorros

100 mil pacientes depois, como o horário estendido nos ambulatórios impactou a saúde de Blumenau

População ainda precisa de orientação e conscientização para saber em quais situações devem procurar os prontos-socorros

Bianca Bertoli

Mais de 100 mil pacientes foram atendidos durante o horários estendido em quatro Ambulatórios Gerais (AGs) de Blumenau. O plantão noturno, das 21h à meia-noite, foi criado pela prefeitura em 2013 com o objetivo de diminuir a procura pelos prontos-socorros dos hospitais em casos mais simples. A ação levou atendimento a endereços mais próximos dos cidadãos, num horário acessível a quem trabalha durante o dia. Ajudou a organizar o sistema, mas não é possível afirmar que houve grande impacto nos hospitais.

A secretária municipal da saúde, Maria Regina de Souza Soar, acredita que, se não fosse o plantão noturno, essas “100 mil pessoas procurariam atendimento nos hospitais”. Os AGs dos bairros Garcia e Velha funcionam até a meia-noite desde 2013. Os da Itoupava Central e da Fortaleza passaram a ter o horário estendido em 2014 e 2015, respectivamente.

A coordenadora do serviço de emergência do Hospital Santa Isabel, Andréa Santiago Nuss, explica que desde a criação do plantão percebeu-se uma pequena queda na procura pela emergência, mas ainda falta muito para a população entender quando buscar cada um dos serviços:

“Ainda é algo muito cultural. As pessoas acham que a emergência é mais resolutiva porque tem raio-x, exame de sangue… Quem é mais do bairro usa os AGs, mas quem tem a cultura de procurar o pronto-socorro, continua vindo”, lamenta.

Em 2012, antes do horário estendido nos ambulatórios, o número de atendimentos na emergência do Santa Isabel era de pouco mais de 52 mil. Em 2016, foram registrados quase 39 mil. Porém, desde 2013 o hospital deixou de prestar atendimento pediátrico, o que contribuiu para a queda do número. Ou seja, ficou mais difícil de identificar a real influência dos AGs.

A emergência do Hospital Santo Antônio também não percebeu grande mudança. O hospital adiciona outros elementos à conta: o aumento da população e a crise financeira, que fez muitos abandonarem planos de saúde. Isso tudo compensou o benefício gerado pelos ambulatórios atendendo à noite.

Quando procurar os AGs
Pessoas de qualquer região da cidade podem procurar os AGs com sintomas de menor complexidade, que não necessitam de atendimento em pronto-socorro por não colocarem a vida em risco.

São exemplos disso: febre, dor de cabeça, aumento de pressão arterial, vômito, diarreia e dores em geral. É o que a moradora da Fortaleza Alta, Patrícia Schmitt, fez.

No mês passado, quando o filho de sete anos, Mateus Schmitt, vomitou cinco vezes, ela e o marido levaram o menino ao AG da Fortaleza. Segundo Patrícia, a demora que enfrenta durante o dia para conseguir uma consulta não acontece entre 21h e meia-noite:

“Não posso reclamar de nada, na emergência durante o dia é mais tumultuado. Às vezes não tem médico, mas durante à noite é excelente. Das vezes que precisei ir à noite, foi tudo bem rápido”.

A secretária de saúde explica que todos os quadros de profissionais dos AGs estão completos, mas a grande demanda pode causar falta de atendimento:

“Às vezes não tem horário disponível na consulta do horário do dia e as pessoas são direcionadas para o horário estendido”, enfatizou.

Cada uma das unidades tem dois médicos, dois enfermeiros e cinco técnicos de enfermagem no plantão noturno. O investimento mensal do município para manter cada equipe é de cerca de R$ 50 mil.

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