Especialistas discutem os motivos da alta no número de suicídios em Blumenau

Fatores de risco comuns em outras regiões se unem a questões culturais do Vale do Itajaí

Especialistas discutem os motivos da alta no número de suicídios em Blumenau

Fatores de risco comuns em outras regiões se unem a questões culturais do Vale do Itajaí

Bianca Bertoli

Os números preocupam. Nos últimos dois meses, ao menos uma pessoa tirou a própria vida a cada semana em Blumenau. No ano passado, a cidade chegou a superar os dois municípios mais populosos do estado, Joinville e Florianópolis, proporcionalmente. Em dados absolutos, Joinville teve 46 casos, a capital 32 e Blumenau, 44.

Psicólogos e especialistas não têm respostas simples para o fenômeno, mas algumas hipóteses se repetem entre quem trabalha e estuda a questão. Questões culturais locais, consumo de álcool, isolamento e uso excessivo da internet, desemprego, histórico familiar e doenças como a depressão estão entre as causas mais citadas pelos especialistas.

O aumento na quantidade de casos é observado de 2014 em diante. Justamente quando o Brasil começou a sentir efeitos da crise econômica, que tem se arrastado desde então..

Para a psicóloga e professora da Furb, Amanda Leite, o desemprego em uma cidade de colonização alemã, em que o trabalho é encarado como algo extremamente importante, provoca sofrimento intenso. Para muitas, a dificuldade é inaceitável, sendo o estopim para depressão profunda e atos impulsivos.

Álcool e depressão

O enfermeiro Jorge Fernando Borges de Moraes foi coordenador municipal de saúde mental durante 14 anos e percebeu a evolução no número de casos. Tanto ele quanto Amanda explicam que a quantidade pode, inclusive, ser maior, já que às vezes o suicídio não fica evidente e a família prefere ocultar a informação das autoridades.

Entre os fatores de risco mais comuns em Blumenau, Jorge destaca a associação da depressão com o álcool. A substância entra como potencializadora, mas a falta da chamada “rede protetiva” faz toda a diferença.

“O que é um problema simples para um, às vezes é complexo para outro. Uma pessoa que tem problemas emocionais e não tem uma família bem estruturada, amigos, laços fortes, precisa da rede de serviços”, defende.

Ele pondera que a cidade não está isolada. Segundo Moraes, Santa Catarina já é o segundo estado do Brasil com maior taxa de suicídio, atrás do Rio Grande do Sul.

Mundo virtual

“As pessoas estão caminhando cada vez mais para o individualismo. A vida tem sido mensurada pela quantidade de likes nas redes sociais”.

A observação de Amanda combina com muitos casos de depressão e ansiedade, por exemplo. Ela, que também atende em um colégio de Blumenau, afirma que a frustração não tem sido bem aceita pelos jovens e que o uso de medicamentos tem se tornado mais frequente.

Além disso, com as conversas virtuais, os encontros têm diminuído. E, quando ocorrem, os presentes normalmente estão com o celular à mão. Menos contato interpessoal, mais informação virtual e uma infinidade de possibilidades para quem já está abalado psicologicamente.

“Quando a pessoa ainda é criança, a rede protetiva deve ser no sentido dos pais estarem mais próximos. Procure saber o que eles estão assistindo na internet”, sugere Moraes.

Onde pedir ajuda psicológica

Serviços de saúde do município, como o Centro de Atenção Psicossocial (Caps), oferecem atendimento gratuito à população com base nas recomendações da Câmara Técnica de Prevenção ao Suicídio. Crianças e adolescentes devem buscar o CAPSi e pessoas com dependência de álcool ou outras drogas podem procurar o CapsAD.

CAPSi
Rua Alfredo Gunther, 73 – Vila Nova
89012-560 Blumenau – SC
e-mail: capi@blumenau.scgov.br
Tel.: (47) 3381.7393

CAPS II
Rua Jean R. Bonnemasou, 720 – Jardim Blumenau
89010-370 Blumenau – SC
e-mail: caps@blumenau.sc.gov.br
Tel.: (47) 3381.6906

CAPS AD
Rua Hermann Hering, 766 – Bom Retiro
89010-600 Blumenau – SC
capsad@blumenau.sc.gov.br
Tel.: (47) 3381.6888

Postos de saúde e Furb

Na dúvida, busque informação nos postos de saúde sobre a alternativa mais próxima da sua casa. Eles podem encaminhá-lo a um serviço prestado pelo município ou ao atendimento fornecido na Policlínica Universitária da Furb, na Fortaleza Alta. Porém, os casos encaminhados aos universitários não envolvem suicídio.

Estudantes da Furb interessados no atendimento, que é feito por acadêmicos do curso de Psicologia, supervisionados por profissionais da área, devem ir até a Coordenadoria de Assuntos Estudantis.

Contato
Campus 1 – Sala A-101
47 3321-0309

CVV

Outra alternativa é o Centro de Valorização da Vida (CVV). Pelo telefone 188, voluntários auxiliam quem precisa de apoio emocional e trabalham ativamente na prevenção do suicídio.

O atendimento é 24 horas por meio de chat, Skype ou e-mail. No site do CVV você encontra todas as opções gratuitas de contato.

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