Quem era Bernardete Libardo, vítima de feminicídio em Blumenau

Líder comunitária lutava por melhorias no bairro e teria se envolvido com o suspeito do crime durante quatro meses

Quem era Bernardete Libardo, vítima de feminicídio em Blumenau

Líder comunitária lutava por melhorias no bairro e teria se envolvido com o suspeito do crime durante quatro meses

Bianca Bertoli

Família, amigos e comunidade do bairro Nova Esperança em luto. Muitos ainda não conseguem acreditar que Bernardete Libardo, de 59 anos, foi morta nesta quarta-feira, 16, ao que tudo indica pelo ex-namorado, José Natalicio Rufino, de mesma idade. Ele está sendo procurado pela polícia.

Auxiliar de enfermagem aposentada desde 2013, Bernardete trabalhou na Saúde municipal durante 25 anos, a maioria deles no ESF Zerbert Kraupp, no mesmo bairro onde morava e foi brutalmente assassinada a golpes de faca.

O relacionamento com o principal suspeito era recente. Bernardete estava conhecendo Rufino há quatro meses, mas já não queria mais o envolvimento. A pessoas próximas, como a cunhada Rosalina Loffi, a quem conhecia há mais de 30 anos, teria enfatizado o desejo de permanecer solteira:

“Ela nunca reclamou dele para gente, só disse, da última vez que fui na casa dela, que não tinha mais namorado e não queria mais ter. Ela disse que só queria se dedicar à associação de moradores, que era o sonho dela ajudar o bairro”, contou Rosalina.

Bernardete sempre esteve envolvida com questões sociais. Há dois meses foi eleita presidente da associação de moradores, após anos de participação na diretoria da entidade. Querida e conhecida por quem frequentava o posto de saúde, quando deixou o ofício migrou para a liderança comunitária. A aceitação foi instantânea.

“Eu conheço ela há mais de 30 anos, sempre foi a mesma Bernardete. Não tem quem não goste dela”, disse a cunhada.

Com a aposentadoria, a relação com as demandas locais só fortaleceu. Além da associação, Bernardete cuidava das atividades do Clube de Idosos do bairro e participava do Clube de Mães. Foi tesoureira e presidente da Associação de Pais e Professores (APP) da escola Hermann Hamann, lugar onde as filhas mais novas estudaram.

“Mesmo depois que as meninas deixaram a escola ela continuou atuando e trabalhando na APP. Ela sempre esteve envolvida em tudo, gostava de trabalhar com as pessoas, de ajudar em trabalhos voluntários”, detalha o diretor da escola Hermann Hamann, Alcione Pertile.

As gêmeas têm atualmente 18 anos. Bernardete deixa outras duas mais velhas, do primeiro casamento. Separada do pai das caçulas, vivia com as garotas na casa da rua Augusto Reinhold, onde foi encontrada por duas das quatro filhas e um genro.

“Todo mundo chorou ontem à noite, que coisa triste. Agora não sei se as meninas vão morar sozinhas, se vão morar com o pai, que é aqui da comunidade. Ela era uma pessoa muito boa”, lamentou a vizinha da vítima, Iliria Pereira.

“Uma pessoa maravilhosa, dedicada, prestativa, que não sabia dizer não. É uma perda muito grande para a comunidade”, relatou emocionado o amigo e vizinho Avelino Tavares.

A escola declarou luto na manhã desta quinta-feira, 17. O velório deve começar às 16h30, na associação de moradores, lugar que Bernardete adorava frequentar. O enterro ocorre às 10h desta sexta-feira, 18, no cemitério da rua Bahia.

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