A mescla de vereadores reeleitos com os novos que assumirão o legislativo blumenauense parece já estar dando resultando mesmo antes de 2021 começar.

O grupo “Independência Parlamentar”, que é composto pelos vereadores Bruno Cunha (Cidadania), Almir Vieira (PP), Ito de Souza (PL), Adriano Pereira (PT), Egídio Beckhauser (Republicanos), Silmara Silva Miguel (PSD), Emmanuel Tuca dos Santos (Novo) e Carlos Wagner (PSL), já definiu que vão eleger a nova mesa diretora da Câmara de Blumenau e que depois da posse algumas mudanças irão acontecer durante os mandatos de Egídio Beckhauser, em 2021, e Silmara Silva Miguel, em 2022.

Segundo eles, não será mais aceito que o executivo municipal encaminhe projetos de lei para serem aprovados em situação de urgência urgentíssima. No termo assinado pelos oito vereadores, já ficou definido que os parlamentares terão, no mínimo, 24 horas para analisar o projeto para só depois ele passar na votação do plenário.

Ficou acordado também que haverá diminuição de cargos comissionados na Câmara, será cancelado o contrato da TV Legislativa e se aplicará uma nova formatação através de inovações tecnológicas. Em momento algum os vereadores do grupo irão negociar cargos no executivo, vão obstruir qualquer projeto de lei que vise o aumento de impostos em Blumenau e se comprometeram em não criar novos cargos de comissão no legislativo até o fim dessa gestão.

Pelo que foi apresentado no sábado, 19, parece mesmo que eles vieram para dar mais liberdade à Câmara de Vereadores de Blumenau em relação às intenções do prefeito. Essa situação já vinha ocorrendo há mais de 30 anos e agora se espera que o legislativo da cidade ressurja com uma nova mentalidade e, principalmente, com novas práticas mais adequadas ao momento de dificuldade que passa o Brasil.

Já está mais do que na hora dos legisladores de todo o Brasil colocquem a mão na consciência e vejam a enorme dificuldade que passa o trabalhador, o empresário e o próprio executivo para pagarem suas contas.

Não há mais espaço para manter uma Câmara de Vereadores, uma Assembleia Legislativa, um Congresso Nacional e também um Judiciário com tantas regalias e penduricalhos que elevam nas alturas os ganhos mensais dessas pessoas que ocupam esses cargos. O brasileiro passa quase cinco meses do ano só trabalhando para pagar impostos. Boa parte desse dinheiro é destinado para manter uma máquina que não anda, não ajuda e não entrega o que deveria entregar.

Mas com a eleição destes oito vereadores de Blumenau parece surgir uma luz no fim desse túnel. Espero que eles realmente coloquem em prática essa mudança de postura, pois 2021 ainda será um ano difícil para todos e poderá ser através desse tipo de conduta que a cidade consiga passar por isso com menos seqüelas.

A aprovação da lei que dá isenção do IPTU e ISS, por dez anos, para os novos estacionamentos do centro da cidade acabou ficando como o marco histórico entre a velha prática e a nova prática na Câmara de Blumenau.

Agora é esperar do prefeito Mário Hildebrandt e da sua vice, Maria Regina Soar, que eles também possam se sensibilizar com tudo o que está acontecendo de novo na política e façam também os cortes dentro da Prefeitura de Blumenau, pois não vai combinar uma Câmara de Vereadores cortando na própria carne e a Prefeitura fazendo de conta que ainda estamos no velho normal.

Declarações de vereadores do grupo Independência Parlamentar

Bruno Cunha (Cidadania)

“Esse grupo faz história na cidade de Blumenau a partir do momento que a gente lança a nossa chapa com os oito votos necessários para que possamos ditar o biênio 2021 e 2022… Quero deixar bem claro para a sociedade que nós precisamos que o legislativo seja respeitado e que tenha independência… e a gente entende que essa decisão tem que ser uma decisão do legislativo sem as várias interferências do executivo que acabam acontecendo. O objetivo é a gente dar sim governabilidade para a cidade, mas mudar algumas práticas respeitando o poder legislativo”.

Almir Vieira (PP)

“Uma composição com pessoas ligadas diretamente com o governo, já mostrando que não existe nenhuma afronta com o governo, é importante deixar isso bem claro, até porque é uma chapa de concessão e vamos estar juntos fazendo o que é melhor para a cidade, fazendo o que é de interesse da cidade, com as divergências de cada um, respeitando a condição de cada um… Nós entendemos numa condição maior que nós podemos apresentar isso para a cidade, apresentando uma independência, apresentando a condição de poder fazer a diferença nos próximos dois anos”.

Ito de Souza (PL)

“Eu, durante os meus quatro anos de mandato, sempre trabalhei para a população e nunca me declarei que sou uma oposição, sou uma oposição das coisas erradas que estavam acontecendo… Nós queremos a separação do legislativo do executivo. Muito se fala na teoria, mas na prática isso não existe”.

 Silmara Silva Miguel (PSD)

“É um momento histórico e muito especial para o time feminino, porque é a primeira vez na história que isso acontece (fazendo menção da possibilidade de uma mulher presidir pela primeira vez a Câmara de Blumenau)… Mulher não tem bigode, mas esse acordo foi feito no fio do bigode”.

 Egídio Beckhauser (Republicanos)

“Estamos do lado do executivo para contribuir, mas a independência da Câmara é um ponto importante e Blumenau é quem vai ganhar com isso”.


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