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A verdadeira e comovente história do “Chaves” que vende doces nas sinaleiras de Blumenau

Francisco Marques Antunes tem 64 anos e, após um câncer, trabalha nas sinaleiras para garantir o sustento

Francisco Marques Antunes é uma figura que chama atenção nas ruas de Blumenau. Aos 64 anos, ele se fantasia de Chaves e vende doces nas sinaleiras próximas à Vila Germânica. A transformação no personagem do seriado mexicano é algo que seu Francisco gosta de fazer e que, segundo ele, o ajuda em seu sustento.

“Eu achei bonita a fantasia e parece que o povo se compadece mais e tem dó da gente também, né? Ajudam a gente, uns compram o docinho e não querem receber, outros dão uns trocadinhos para a gente e assim a gente vai indo”, compartilha.

A história por trás do personagem

Seu Francisco nasceu no Paraná, no entanto, se mudou para Gaspar em 1995. Ele tem três filhos adultos e é casado com Dirce Moreira Antunes, costureira, mas que também vende balas de goma e brigadeiros com o marido nas sinaleiras, às vezes fantasiada de Chiquinha.

Seu Francisco e dona Dirce fantasiados de Chaves e Chiquinha. Foto: arquivo pessoal

Durante anos de sua vida, seu Francisco foi prestador de serviços gerais para a prefeitura da cidade. Ele capinava, varria ruas e atuava na limpeza dos postos de saúde. Mais tarde, passou a trabalhar de vigilante em uma empresa. Porém, em 2012 ele descobriu um câncer de próstata.

Foi apenas em fevereiro de 2020 que seu Francisco conseguiu fazer a cirurgia contra a doença. Atualmente ele está bem de saúde, mas precisa seguir comprando os remédios para tomar e realizar exames a cada três meses.

O caminho até as sinaleiras

Devido à cirurgia, ele teve que ficar encostado por cerca de oito meses. Quando retornou ao trabalho, a empresa passava por uma crise de falência que, segundo seu Francisco, fez com que o patrão demitisse a maioria dos funcionários, incluindo ele, sem pagar as multas necessárias.

“Não pagou quase ninguém, não pagou fundo de garantia. Botei no advogado, mas não deu nenhuma solução boa ainda”, diz.

Francisco e Dirce não são aposentados e, por conta da recuperação do câncer, ele não pode mais trabalhar em serviços pesados. Apesar de a esposa ser costureira, o casal conta que o salário dela é baixo, enquanto as despesas da casa são altas. Seu Francisco afirma que procurou emprego em diversos locais, no entanto, não foi contratado por nenhum.

“Fiz bastante currículos, mas não me chamaram. Não sei se é por causa da idade, ou porque não estou muito bom, me recuperando ainda. Mas ninguém me chamava para trabalhar e esse foi o motivo de eu ir vender docinho na sinaleira”, conta.

Portanto, foi a partir disso que o casal passou a buscar uma solução nas sinaleiras, para tentar manter o sustento. Francisco compartilha que, às vezes, passa por situações desconfortáveis enquanto faz seu trabalho.

“A gente faz uns trocadinhos, às vezes uns R$ 80, às vezes uns cento e pouco e assim vai indo, para pagar luz, água. É bastante a despesa que temos na casa (…) Tem gente que não abre nem o carro para falar com a gente, para ver a gente. Mas o mundo é de tudo um pouco”, relata Francisco.

Uma necessidade urgente

Com as chuvas que assolaram Gaspar e região no final de 2022, a casa de seu Francisco e dona Dirce ficou em uma situação precária. O casal lida com goteiras de chuva por toda a propriedade. Durante as tempestades, precisam procurar bacias e baldes para que a água não alague a residência.

Quando questionado sobre qual seria seu sonho, Francisco disse ser reformar a casa, para que não chova mais dentro: “queria reformar a casa, para a gente parar de se molhar na chuva dentro dela. As coberturas estão muito velhas”, desabafa seu Francisco.

Confira como está a situação da casa

Como ajudar

Além de comprar os doces do Chaves e da Chiquinha, caso os encontrem nas sinaleiras de Blumenau, as pessoas que desejarem também podem realizar doações através da chave PIX: (47) 99132-7776, para ajudar o casal a fazer a reforma necessária na residência.

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