Alta nos pedidos de demissão gera falta de médicos em diversos AGs e ESFs de Blumenau

Profissionais da saúde seguem pedindo demissão por exausta após pandemia

Alta nos pedidos de demissão gera falta de médicos em diversos AGs e ESFs de Blumenau

Profissionais da saúde seguem pedindo demissão por exausta após pandemia

Alice Kienen

Nas primeiras semanas deste ano, Blumenau sofreu com o colapso dos serviços de saúde por conta da alta demanda de pacientes e da debandada de profissionais de saúde. Enquanto alguns saíram pelo esgotamento mental e físico após dois anos de pandemia, outros encerraram contratos para buscar especialização.

Durante o período, a Prefeitura de Blumenau anunciou que iria chamar os funcionários que estavam de férias de volta ao trabalho e contratar novos profissionais. Entretanto, três meses depois, as unidades de saúde seguem sofrendo com a falta de médicos.

A pernambucana Veronica dos Santos Souza se mudou para Blumenau há pouco tempo para morar com a filha. Ela recorreu à unidade de Estratégia de Saúde da Família (ESF) Frei João Maria, no bairro Garcia, para operar uma catarata. Entretanto, desde janeiro, não consegue agendar o procedimento.

“Desde que cheguei aqui me dizem que não tem médico. Pedem pra gente ligar na prefeitura até chegar médico”, denuncia a idosa. Segundo ela, não houve encaminhamento para outra unidade de saúde.

No Ambulatório Geral da Velha, um dos bairros mais populosos da cidade, pacientes são orientados a esperar a chegada de novos profissionais para conseguir agendar consultas. De acordo com uma enfermeira da unidade, o AG está com sete médicos a menos desde janeiro.

“Há um clima de apreensão, inconformismo e insegurança presente na equipe que atende quem busca consultas. Há manifestação de que ocorreram mudanças diante da nova coordenação de saúde. E com isso a população é que sofre por falta de atendimento e por desinformação ou informações imprecisas”, relatou um usuário, que não quis se identificar.

Há duas semanas, o médico Winnetou Krambeck deixou a Secretaria de Promoção da Saúde (Semus) para se dedicar aos estudos. Oscar Rautenberg, diretor-geral da Saúde, assumiu o comando interinamente.

O mesmo paciente comenta que sempre recorreu ao AG da Velha e teve muitas experiências positivas no local, mas percebe uma decadência no atendimento de alguns profissionais e na estrutura.

“Já ouvi de uma infectologista que a vacina não era importante. Um otorrinolaringologista já tentou encaminhar minha esposa para a rede privada. Já tive que desmarcar uma extração de dente porque a dentista passou mal no calor de 50 graus sem ar condicionado. É uma peneira cheia de furos”, comenta.

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Posição da prefeitura

De acordo com o diretor de Atenção em Saúde, dr. Claudio Pilotto, o fim de um ano e início de outro é um período no qual muitos médicos pedem demissão. O principal motivo é a prova de residência, necessária para que eles se especializem.

Atualmente, seis ESFs estão sem médicos. Outros AGs também estão com menos profissionais do que o ideal. O número médio de profissionais na rede é de 200, e atualmente está em cerca de 180.

Neste período, um médico itinerante tem realizado os atendimentos à população. Ninguém que procura a unidade fica sem atendimento. Outras demandas também estão atendidas pela equipe de enfermeiros e técnicos de enfermagem. Quando há falta de médico pontual, as unidades trabalham de forma integrada. Em casos de urgência, os servidores fazem o encaminhamento para que o médico de outra unidade próxima dê o suporte necessário. A intenção é garantir que o paciente não fique sem atendimento“, afirmou a Secretaria de Saúde em nota.

Segundo Pilotto, a prefeitura segue fazendo chamadas semanais para contratar novos profissionais. Na semana passada, dois foram contratados. Nesta semana, duas novas chamadas devem ser feitas. Entretanto, nem sempre os profissionais estão interessados em trabalhar nos endereços necessários.

Ainda, um concurso público para novos profissionais está em fase de homologação. Em menos de um mês, os mais de 90 médicos aprovados no concurso devem ser acionados para trabalhar na rede pública.

Ninguém está ficando sem atendimento. Isso porque há uma política nacional que rege os atendimentos na atenção básica baseados em diversos serviços prestados pelos profissionais que atuam nestes serviços como aplicação de vacinas, curativos, dispensação de medicamentos, consulta de enfermagem, encaminhamentos, marcação de consultas, consultas odontológicas e de outros profissionais. Caso a equipe que faz o acolhimento, identifique a necessidade de consulta com médico, na falta pontualmente, o usuário será devidamente encaminhado para o local com profissional disponível para garantir o atendimento ao usuário“, complementa a nota.

Atualização – 4/4/2022; 16h32

O diretor de Atenção em Saúde, dr. Claudio Pilotto, atualizou algumas informações repassadas pela Secretaria. Entre elas a explicação do motivo da saída dos profissionais e os números de médicos que faltam na rede. A reportagem acima já foi atualizada.


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