Conheça as abelhas sem ferrão, criadas por quase 200 produtores de Blumenau

Desenvolvimento da atividade motivou criação de associação de meliponicultores

Conheça as abelhas sem ferrão, criadas por quase 200 produtores de Blumenau

Desenvolvimento da atividade motivou criação de associação de meliponicultores

Cristóvão Vieira

Inofensivas e ao mesmo tempo fundamentais para o ecossistema, as abelhas sem ferrão foram redescobertas em Blumenau. Cada vez mais moradores do município demonstram interesse e adquirem os insetos, responsáveis tanto pela produção de mel e cera como pela polinização de plantas.

Diferentemente das abelhas mais comumente encontradas, as africanas – trazidas para o Brasil pelos europeus –, os insetos não representam perigo e podem ser criadas na área urbana. Casas, terrenos e apartamentos podem abrigar as caixas com colmeias.

Os criadores da abelha sem ferrão são conhecidos como meliponicultores, e Blumenau conta com cerca de 180 pessoas que realizam a prática. O desenvolvimento da atividade incentivou a criação da Associação de Meliponicultores de Blumenau (Ame).

Regulamentação da prática

Conforme explica Fabiana Barros, uma das fundadoras da associação, a maior organização dos criadores se tornou necessária. “Nós trocávamos informações por grupos de WhatsApp, mas com o tempo isso ficou insuficiente. Precisávamos de uma representatividade para nossas demandas”.

Uma das principais pautas diz respeito à regulamentação da profissão de meliponicultor. A meliponicultura não é uma função reconhecida na Classificação Brasileira de Ocupações. “Eu precisei registrar minha empresa, e na especificação da função só podia escolher entre apicultor ou produtor de mel. Na verdade eu não sou nenhum e nem outro, sou uma meliponicultora”.

Outra função da associação, conforme explica Fabiana, é a de divulgar informações sobre a abelha sem ferrão. “O tema é ainda pouco conhecido, e também é preciso fazer um trabalho de conscientização da população sobre os cuidados com a abelha. Aquele veneno que é passado nas calçadas para matar os matos, por exemplo, é fatal para as abelhas”.

Segundo Fabiana, a vantagem da polinização das abelhas sem ferrão é o fato de serem insetos nativos da região. “Eles são os mais adequados para o nosso tipo de vegetação. As africanas não têm um desempenho tão bom nas nossas plantas. Além disso, por não terem ferrão, isso facilita no cultivo de frutas como o morango, por exemplo, no qual você precisa fazer a colheita diária”.

Foto: Bárbara Sales

Pesquisas em andamento

Em parceria com a Ame, a Universidade Regional de Blumenau (Furb) iniciou nos últimos meses uma série de pesquisas com abelhas sem ferrão. São frentes de trabalho que pesquisam polinização, avaliação dos méis e outras características das abelhas nativas da região.

O professor Sérgio Luiz Althoff está diretamente envolvido com a pesquisa de polinização de morangos. “Nós conhecemos um casal que realiza o cultivo de morangos orgânicos. Isso veio ao encontro das nossas necessidades, porque precisamos de plantações que não utilizem agrotóxicos, ou as abelhas serão mortas”.

A pesquisa ainda é inicial, e não foram colhidos resultados significativos no momento. Althoff explica que é possível que a polinização com as abelhas sem ferrão colaborem, inclusive, com o frio menos rigoroso que faz neste inverno. “Os morangos precisam de mais frio para se desenvolver. Contudo para as abelhas o clima é agradável, elas saem pra polinizar. Neste aspecto será benéfico para às frutas”.

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