Estupros, tortura e assassinato; família de vítima de feminicídio em Blumenau aguarda julgamento há mais de um ano

Marise Mette foi morta em outubro de 2019 por ex-companheiro que não aceitava separação

Estupros, tortura e assassinato; família de vítima de feminicídio em Blumenau aguarda julgamento há mais de um ano

Marise Mette foi morta em outubro de 2019 por ex-companheiro que não aceitava separação

Jotaan Silva

Marise Mette dos Santos tinha 45 anos quando foi assassinada em outubro de 2019 dentro da própria casa, no bairro Tribess, em Blumenau. O ex-companheiro, Carlos Erasmo Luiz dos Santos foi apontado pela polícia como autor do crime, sendo preso alguns dias depois em Santa Maria (RS), após fugir de Santa Catarina. Porém, um ano e um mês depois, a família de Marise ainda aguarda pelo julgamento do acusado, que segue preso na cidade gaúcha.

Em novembro de 2019, o jornal O Município Blumenau publicou uma reportagem que falava sobre a demora – sem explicação – da Justiça para ter o depoimento de Carlos Erasmo, que estava preso há um mês. O depoimento só foi realizado em julho deste ano. Um mês depois, em agosto, a Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público, de feminicídio, com agravantes de motivo torpe e sem oferecer defesa à vítima.

O julgamento ainda não foi marcado porque a defesa de Erasmo entrou com recurso contra a denúncia e ainda aguarda decisão da Justiça. Após isso ser resolvido, o processo pode dar andamento para júri popular, que deve ser realizado em Blumenau.

Enquanto isso a família segue aguardando e pedindo por justiça. Rubia Rosane Mette é irmã de Marise. Ela conta que Carlos Erasmo Luiz dos Santos foi responsável pela maior tragédia de sua família.

“Ele me agrediu e agrediu meu sobrinho. Ele quebrou meus dentes na BR-101, quando fomos buscar Marise em Florianópolis, porque ele estava agredindo ela. Ele botou fogo na casa dela. Ele destruiu nossa família em todos os sentidos. Foram anos nos destruindo”, conta ela.

Estupro, agressões severas e fogo em residência

A denúncia contra o acusado oferecida pelo MP-SC, traz detalhes de situações que teriam ocorrido durante o período de relacionamento e até tentativas de separação do casal. Neles, constam os depoimentos do filho de Marise e da irmã.

Marise e Erasmo teriam se conhecido pela internet. Após pouco período de relacionamento, foram morar em Florianópolis, onde a vítima começou a ser agredida e chegou a ficar em cárcere privado. Por este motivo, o filho e a irmã da vítima contaram que foram buscá-la pela primeira vez, para salvá-la e trazê-la para Blumenau.

Porém, neste episódio, Erasmo os parou na BR-101 e agrediu aos três. Ele teria quebrado os dentes de Rubia, além de provocar ferimentos em Marise e seu filho.

Outros episódios graves foram relatados. Entre eles casos de estupros e agressões à própria mãe.

O acusado a agredia e torturava quando ela se negava a ter relações sexuais, sendo que ele já a torturou com um alicate nas partes íntimas. Outrossim, a vítima relatava que Carlos ameaçava de queimá-la com gordura e a pegava pelo pescoço. Contou também que o acusado costumava ofender Marise e dizer que ela ficaria com ele até morrer. Apontou que o réu é forte e bem mais alto que Marise, sendo por este motivo que a vítima não conseguia esboçar qualquer reação. Disse também que, além da depoente, a filha e o genro já haviam ajudado a vítima em outras oportunidades. Revelou que a mãe do acusado já havia dito que ele também a agredia”.

Erasmo teria também ateado fogo na casa de Marise em uma oportunidade, quando ela não estava em casa.

“Foi nesse contexto que, em data incerta, porém antes do dia 18 de outubro de 2019, no interior da residência situada na Rua Belvedere, n. 54, Bairro Tribess, nesta cidade e comarca de Blumenau, o denunciado Carlos Erasmo, imbuído de manifesta intenção homicida, matou Marise Mette dos Santos. Na ocasião, o denunciado, cumprindo com as ameaças de morte que vinha proferindo, passou a desferir inúmeros golpes de faca contra a vítima, especialmente na região no pescoço, os quais foram suficientes a romper completamente a traqueia de Marise e causar-lhe o óbito decorrente de asfixia, por 2 lesão cervical”, conclui a denúncia.


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