Inflação em supermercados de Blumenau ultrapassa 14% em quatro meses; professor de Gaspar explica motivos do aumento de preços

Professor Edmundo começou a pesquisa em janeiro de 2022

Inflação em supermercados de Blumenau ultrapassa 14% em quatro meses; professor de Gaspar explica motivos do aumento de preços

Professor Edmundo começou a pesquisa em janeiro de 2022

Iáscara Zultanski

A cada ida ao supermercado, o morador blumenauense percebe o aumento do preço dos produtos. Esse aumento se dá devido à inflação, que é um aumento contínuo e generalizado dos preços de bens e serviços em uma economia.

Acostumado com pesquisas econômicas, o professor do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) de Gaspar, Edmundo Pozes, de 66 anos, procurou tentar entender como estavam os preços em Blumenau e como andava a inflação dos produtos no município. 

A pesquisa

A primeira pesquisa que professor Edmundo fez nessa área foi em 2010, quando ele dava aula no Institutivo Federal de Palmas, no Paraná. Lá ele selecionava produtos de alguns supermercados, analisava os preços e o que estava causando os aumentos dos valores de compra. 

Ele continuou a fazer a pesquisa em Palmas, mesmo após ter vindo dar aulas em Gaspar. Atualmente, ele é morador de Pomerode, mas está desenvolvendo a pesquisa em supermercados de Blumenau. “Quando cheguei aqui na região, há quatro anos, pensei, porque não realizar a mesma pesquisa aqui também?”, comenta.

Para começar a pesquisa ele selecionou 37 itens que julgou importante para o dia a dia de todo blumenauense, para analisar. Entre os itens estão: arroz de 1 quilo, feijão de 1 quilo, papel higiênico de quatro rolos, uma dúzia de ovos, um quilo de pão francês, um quilo de café, um quilo de peito de frango, além de diversos outros produtos. 

>> Confira todos os produtos pesquisados clicando aqui.

Depois escolheu três supermercados de Blumenau: Koch, Bistek e Giassi. A partir disso, selecionou os produtos mais baratos entre os itens. “Eu nunca escolhia por uma marca, mas sim qual produto estava mais barato. Por exemplo, sempre pegava o arroz mais barato que tivesse nas prateleiras, independente da marca”, explica. Além disso, ele também decidiu que iria aos supermercados todo dia 12, de cada mês.

Dessa forma, ele começou a anotar o valor de cada um dos 37 produtos, nos três diferentes mercados, e partir dessas anotações realizou o cálculo da média de cada produto. Para calcular essa média, ele somou o preço dos três mercados, e dividiu por três – usando esta fórmula: (X produto do Koch + X produto do Giassi + X produto do Bistek) ÷  3. Assim foi possível visualizar a variação dos preços de cada produto em Blumenau.

Confira a variação de alguns produtos pesquisados:

 

“Tenho feito comparações dos aumentos com a minha pesquisa de Palmas e com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e percebi como os preços aqui sobem muito. Conforme esses dados, o preço dos alimentos subiu 21,46% nos últimos 12 meses nacionalmente, acima da inflação, enquanto Blumenau tem previsão de um aumento de quase 48%”.

“Nos quatro primeiros meses, a inflação oficial do Brasil foi de 3,95% enquanto a inflação dos itens que eu pesquisei foi de 14,3%. A variação de fevereiro em relação a janeiro foi de 7,1%, de março a fevereiro de 1,01% e de abril a março de 4,9%”, explica o professor.

Cálculo da inflação

Para calcular como está a inflação em Blumenau, primeiro Edmundo calculou a média total de todos os produtos dos três supermercados, e após ter o resultado da média comparou com os meses anteriores, dessa forma: média dos produtos do mês atual ÷ Média dos produtos do mês anterior.

Por exemplo, a média de todos os produtos conferidos durante o mês de março foi R$ 431,59; já a de fevereiro foi R$ 424,51. Para saber qual foi a inflação do mês de março, em comparação com fevereiro é preciso fazer a seguinte conta:

  • R$ 431,59 (mês recente) ÷ R$ 424,51 (mês anterior) = 1,01%. Esse é a inflação do mês de fevereiro em Blumenau.

Confira a variação da média dos produtos e a inflação de cada mês:

 

 

Segundo as pesquisas do professor Edmundo, a tendência é que o aumento dos preços seja cada vez mais frequente. “É importante acompanhar esse aumento, já que a tendência é aumentar cada vez mais. Penso ser importante registrar isso, pras pessoas observarem como está o local onde vivem.”

Motivação da mudança de preços

O mundo está passando por diversos momentos complicados, guerras, problemas políticos e desastres naturais, e, segundo o professor Edmundo, tudo isso influência na economia do país, que acaba influenciando na economia de Blumenau.

“Várias coisas estão influenciando, mas a pandemia da Covid-19 é a principal ‘culpada’ para o grande aumento de preços. Muitas empresas fecharam ou precisaram diminuir durante esses últimos anos, e agora com as coisas voltando ao normal, as pessoas estão consumindo produtos que muitas vezes, não possuem quantidade suficiente para a demanda”, explica o professor.

Ele ainda explica que isso é a “lei de oferta e demanda” — quando um produto tem poucas unidades, mas está sendo muito procurado, seu preço vai acabar aumentando, já que ele está recebendo uma demanda muito grande, mas não há a quantidade suficiente para suprir a procura.

Além disso, a guerra entre a Ucrânia e a Rússia, grandes exportadores, afeta várias áreas da economia. “Isso mexeu muito com a economia do mundo inteiro, princialmente, com a exportação de fertilizantes de plantas, exportação de trigo e petróleo. Tudo isso influência nos aumentos dos preços”, explica.

Leia mais: Entenda como guerra entre Rússia e Ucrânia tem afetado pequenos agricultores de Blumenau

Segundo o professor Edmundo, outra coisa que pode estar influenciando a inflação, é o momento politicamente instável que estamos vivendo. “Estamos vivendo um momento de confusão politica e isso também afeta o mercado, gerando incertezas e fazendo com que os preços subam”.

Essa incerteza causa a inflação inercial, que acontece quando, por exemplo, um comerciante aumenta os preços de seu estabelecimento pensando que outros comércios também vão aumentar. É um tipo de inflação “forçada”, que acontece, às vezes, por inseguranças econômicas e politicas.

Outras coisas que podem estar influenciando são os desastres e acidentes naturais que vem acontecendo nos últimos anos e, segundo o professor, há cerca de 15 anos, o parque de indústrias estão tendo um declínio.”Nós estamos comprando muito mais coisas de fora do que produzindo e exportando. Penso que seria muito importante voltar para o mercado internacional e voltar a exportar produtos”, comenta professor Edmundo.

Ele ainda comenta que o país está conseguindo se manter instável devido à exportação de commodities, como soja, açúcar e minério de ferro. “Essa foi a nossa salvação”, comenta.

Ele finaliza comentando que é possível voltar para o mercado e se estabilizar ainda mais. “Eu acredito que é muito difícil voltar rápido para o mercado internacional e alcançar a estabilidade rapidamente, mas não é impossível. Precisamos procurar inovar e usar novas tecnologias. É preciso pensar em como deixar tudo estável, mas é preciso pensar no desenvolvimento social também, para ajudar a população”.


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