Museu Nacional guardava documentos sobre Blumenau e Fritz Müller

Alemão que viveu em Blumenau no século 19 trabalhou para a instituição como naturalista viajante

Museu Nacional guardava documentos sobre Blumenau e Fritz Müller

Alemão que viveu em Blumenau no século 19 trabalhou para a instituição como naturalista viajante

Evandro de Assis

O incêndio que destruiu o Museu Nacional do Rio de Janeiro na noite deste domingo, 3, consumiu também documentos que guardavam parte da história de Blumenau e de Santa Catarina. Historiadores da cidade ainda tentam compreender o tamanho da perda, que deve atingir, entre outras, pesquisas sobre o naturalista Fritz Müller.

Müller trabalhou para o Museu Nacional entre 1876 e 1891, enquanto morava em Blumenau. Ele exercia o cargo de naturalista viajante. Ou seja, pesquisava a natureza catarinense em busca de novidades científicas e as relatava em documentos que eram enviados ao museu, para depois serem publicados.

Müller também enviava exemplares de plantas do Vale do Itajaí, que ficavam catalogadas no herbário do Museu Nacional. Todo esse material provavelmente se perdeu com o incêndio.

Fritz Müller
Fritz enviava também exemplares de plantas para o museu

A historiadora Ana Maria Moraes, que pesquisou esses relatórios no Museu Nacional em 2014, diz estar devastada com o incêndio. Segundo Moraes, poderia haver muito mais material sobre o naturalista nos arquivos da instituição, uma vez que nem tudo era acessível a pesquisadores in loco.

“A gente sente pelo que viu e pelo que não viu”, resume.

Ana Maria Moraes no Museu Nacional, em 2014

“Provavelmente, do Dr. Blumenau, deveria ter correspondências trocadas com o Pedro II, mas eu não posso afirmar”, explica a historiadora e diretora do Arquivo Histórico de Blumenau, Sueli Petry. Ela lembra que, das vezes que visitou o Museu Nacional, não conseguiu ter acesso aos documentos, possivelmente guardados entre milhares de outros arquivos.

Incêndio controlado na madrugada

Por Agência Brasil

O incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro, na Quinta da Boa Vista, foi controlado apenas por volta das 3h desta segunda-feira, 3. Porém, os bombeiros continuam no local fazendo o trabalho de rescaldo e de combate a outros focos de fogo.

Vários diretores, funcionários e pesquisadores do Museu Nacional passaram a noite no local acompanhando os trabalhos e tentando colaborar. Havia preocupação com as dificuldades em controlar as chamas, a ausência de água e o risco de desabamento.

Tânia Rego/Agência Brasil

O Museu Nacional do Rio reunia um acervo de mais de 20 milhões de itens dos mais variados temas, coleções de geologia, paleontologia, botânica, zoologia e arqueologia. No local, estava a maior coleção de múmias egípcias das Américas.

No local, também estava Luzia, o mais antigo fóssil humano encontrado nas Américas, que remete a 12 mil anos, e representa uma jovem de 20 a 24 anos. No museu, havia ainda o esqueleto do Maxakalisaurus topai, maior dinossauro encontrado no Brasil.

O museu é a mais antiga instituição histórica do país, pois foi fundado por dom João VI em 1818. É vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com perfil acadêmico e científico. Tem nota elevada nos institutos de pesquisa por reunir peças raras, como esqueletos de animais pré-históricos e múmias.

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