Saúde à Mesa

Formada em Nutrição pela Furb, Vanessa de Souza atende em Blumenau e publica semanalmente sobre saúde e boa alimentação.

A complicada ética do consumo de peixes

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Formada em Nutrição pela Furb, Vanessa de Souza atende em Blumenau e publica semanalmente sobre saúde e boa alimentação.

A complicada ética do consumo de peixes

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Por muitas vezes, o ato de consumir peixes e seus derivados é visto como algo benéfico para a nossa saúde e pouco prejudicial para o animal ou meio ambiente. Isso não poderia estar mais longe da verdade.

Acabamos vendo o peixe como um animal que não sofre para ser abatido, diferente do gado ou porco. Esse pensamento é tão comum que se tornou até mesmo aceito que uma classificação diferente de vegetarianos fosse criada, os pescetarianos, que não consomem nenhum tipo de carne animal com exceção do peixe.

Mas precisamos entender que o fato de um animal não conseguir gritar, não significa que ele não esteja sentindo dor. Ou você acha que o fato dele se contorcer no chão quando é retirado da água, é apenas para te entreter?

Pesquisas mais recentes já tem nos mostrado que os peixes são capazes de sentir dor, e sentir a mesma de forma muito similar a qualquer outro vertebrado. Além disso, muitas espécies de peixes são capazes de formar laços de amizade e comunidade, além de terem excelente memória.

Uma das questões que fazem os seres humanos se desligarem emocionalmente da sua comida, e considerar ético consumir um animal, é os colocar em uma categoria “não humana”. Não sendo humano, todo o resto é visto como “coisas” ou objetos a serem usados em nosso benefício. E não podemos mais olhar para a vida no planeta dessa forma.

Se voltarmos um pouco na história do país, os europeus quando vieram pela primeira vez ao Brasil e encontraram os índios por aqui, logo os viram como seres primitivos, e sendo assim não mereciam o mesmo tratamento de alguém “civilizado” e poderiam ser usados como coisas ou como mão de obra. Hoje acredito que já temos uma noção melhor do quão absurdo é esse comportamento. Então quanto tempo iremos levar para perceber que tratamos os animais da mesma forma, ainda hoje, e o quão ruim isso é?

Sem falar no meio ambiente. O consumo de peixes não é assim tão inocente quanto querem que acreditemos. Previsões indicam que não haverá mais peixe a ser pescado até 2048, devido ao alto consumo do animal e devastação das espécies durante a pesca. E isso é algo extremamente perigoso para o equilíbrio da vida nos oceanos, lagos, rios e até mesmo nas florestas, afetando assim toda a vida no planeta, já que a nossa existência também depende desse equilíbrio.

Não adianta, tudo que o ser humano tira e explora no planeta, um dia vai ser cobrado. Continuar fazendo algo sob o pretexto de que “sempre foi feito” não é mais uma justificativa válida. Repense seus hábitos!

Vanessa Souza
Nutricionista
CRN10 7320


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