Dois anos do caso Jaguar: “Vamos continuar lutando até o final”, enfatizam famílias das vítimas

Fórum de Blumenau terá segunda manifestação da semana nesta terça-feira

Dois anos do caso Jaguar: “Vamos continuar lutando até o final”, enfatizam famílias das vítimas

Fórum de Blumenau terá segunda manifestação da semana nesta terça-feira

Alice Kienen

Nesta terça-feira, 23, o acidente na BR-470 que matou Suelen Hedler da Silveira e Amanda Grabner completa dois anos. O caso Jaguar, como ficou conhecido, é cercado de falhas na fiscalização, falta de conscientização e, principalmente, um júri popular que parece que nunca será marcado.

Em forma de protesto, a família das vítimas e das três sobreviventes organizou uma nova manifestação nesta tarde. A partir das 16h eles se reunirão em frente ao Fórum de Blumenau junto com outros familiares de pessoas que buscam justiça, mas enfrentam processos parados.

Elizabete Grabner, tia e madrinha de Amanda Grabner, participou do Blumenau Ao Vivo desta segunda-feira e falou sobre a dor de continuar lutando pela promessa que fez a uma das pessoas mais queridas que ela tinha.

“Eu prometi para a Amanda no caixão dela que iria lutar por justiça até meu último suspiro. Até onde conseguisse. Nós não temos dinheiro, mas nós vamos até o final”, conta Elizabete, que em apoio à irmã, mãe de Amanda, encabeçou a organização das manifestações envolvendo o caso.

Segundo ela, a demora no julgamento se deve aos inúmeros recursos abertos pela defesa de Evanio Prestini. Atualmente, há um na justiça estadual e outros dois na federal. Ele responde em liberdade desde julho de 2019, quando o STJ decidiu que ele não representava um perigo à ordem pública. O Ministério Público tentou fazer com que ele voltasse à prisão, mas sem sucesso.

“A Amanda ficou irreconhecível, o rosto dela foi desutrído. O próprio médico anestesista disse que nunca havia visto alguém tão ferido. Ela não pode sequer realizar o sonho de doar órgãos, porque não sobrou um inteiro”, relata Elizabete.

Elizabete Grabner

Elizabete também relata a falta de solidariedade por parte da família do réu. De acordo com ela, eles nunca entraram em contato para oferecer ajuda financeira para os velórios ou para desejar condolências.

“Todos os dias eu sinto como se a Amanda fosse me ligar, como ela sempre fazia de manhã. Parece que quanto mais tempo passa, mais dolorido fica e a saudade aumenta. Muito disso devido à demora da justiça e à impunidade. Dois anos sem uma palavra por parte da família do réu. Humanidade e empatia zero”, desabafa.

Pelo contrário, a defesa de Prestini entrou com outro recurso, porém no processo envolvendo Maria Eduarda Kraemer. A jovem passou meses internada no Hospital Santo Antônio após as cirurgias e demorou a voltar a andar após o acidente.

“A Maria Eduarda está despedaçada. Não consegue conversar sobre o assunto. Ela não vive mais, está sempre com medo de morrer. Acha que alguém pode matar ela. Ela até já passou por laudo psiquiátrico. Esse recurso para março vai afetar ainda mais, nunca mais será aquela menina alegre”, lamenta Elizabete.

Thainara Schwartz, de 22 anos, que dirigia o Palio e Thayná Cirico, 21, foram liberadas do hospital no dia seguinte. Mas não sem sequelas psicológicas após um acidente desta magnitude e após perder duas amigas.

Para Elizabete, não se trata apenas de justiça pelas vidas de Amanda e Suelen, mas de conscientizar a população e o poder público sobre a necessidade de evitar que acidentes com esse se repitam.

“Não é só pelas meninas. Abraçamos e damos apoio a outras famílias que perderam entes queridos para motoristas embriagados. A justiça não vai bater na sua porta, você precisa ir atrás dela. Lutar por ela. Se nos unirmos, alguém vai nos ouvir”, opina.

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